JESUS, EU CONFIO EN VÓS

Somo Servos da Misericórdia Divina.

O que é extraordinário, nos textos e mensagens entre Jesus e a Irmã Faustina, é que em qualquer dos textos citados podemos identificar-nos com a Irmã Faustina, como se estas mensagens estejam diretamente dirigidas a cada um de nós. A alma que tem sede de Deus, e por ter procurado uma intimidade com Ele, mas sem saber como a alcançar, está agora em plena consciência, enquanto anteriormente não distinguia claramente a Sua voz, nem compreendia a Sua mensagem, a partir da leitura das declarações de Jesus e suas interpretações da Irmã Faustina, o véu abriu-se e agora tudo ficou transparente e nítido.

Estas mensagens, que nos foram dirigidas, ao longo de toda a nossa vida, ganharam sentido, ultrapassando a barreira do tempo e agora disponíveis e compreensíveis para todos aqueles que o desejam, em comunhão com os Santos e a Santa Igreja, pela graça da Misericórdia Divina.


Diariamente, colocaremos citações da obra de Santa Faustina, ou de outros autores que também receberam graças muito especiais, que o ajudará, com certeza, na sua meditação diária.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Uma ligação cada vez mais forte entre o povo haitiano e a Virgem Maria

Haiti é um país das Grandes Antilhas que ocupa o terço ocidental da ilha de Hispaniola. Port-au-Prince é sua capital.

Foi nas Antilhas, na ilha de Hispaniola, hoje dividida entre dois países independentes, a República Dominicana e o Haiti, que Cristovão Colombo acostou quando, no dia 12 de outubro de 1492, ele descobriu a América. (...).

Foi a partir de Hispaniola, terra das primeiras colônias européias das Américas, que se espalhou a evangelização e a devoção mariana. Em Haiti, sob cinco catedrais, quatro são dedicadas à Santa Virgem e têm como origem, mais ou menos direta, esta primeira época da presença européia na ilha.

No restante do país, as paróquias que têm a santíssima Virgem como padroeira são numerosas, sob títulos diversos, de acordo com as preferências dos fiéis e sobretudo dos sacerdotes.

Desde 1882, época das grandes epidemias de varíola até a consagração da nação em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, uma união cada vez mais forte se formou entre o povo Haitiano e a Virgem Maria, com o título de nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 
Um Minuto com Maria
Une initiative de l'Association Marie de Nazareth

24 de setembro – Nossa Senhora das Mercês – Inglaterra: Nossa Senhora de Walsingham – Haiti: Cozumel, o primeiro santuário mariano (1518) 

O poder de Deus Criador

O conteúdo do Salmo 92, sobre o qual  hoje  nos  detemos,  é  sugestivamente  expresso  por  alguns  versículos do  Hino  que  a  Liturgia  das  Horas propõe para as vésperas da segunda-feira:  Ó imenso criador, / que ao ímpeto das correntes marcastes o percurso e o limite / na harmonia da criação / tu que à áspera solidão / da terra sequiosa /deste o refrigério / das correntes e dos mares.

Antes de entrar no coração do Salmo, dominado pela imagem das águas, desejamos captar a sua tonalidade de fundo, o género literário que o domina. De fato, este Salmo, como os Salmos 95-98, é definido pelos estudiosos da Bíblia como "o cântico do Senhor rei". Exalta aquele Reino de Deus, fonte de paz, de verdade e de amor, que nós invocamos no "Pai-Nosso" quando imploramos:  "Venha a nós o Vosso Reino!".

Com efeito, o Salmo 92 começa precisamente com uma exclamação de júbilo que diz assim:  "Reina o Senhor" (v. 1). O Salmista celebra a realeza de Deus, isto é, a sua acção eficaz e salvífica, criadora do mundo e redentora do homem. O Senhor não é um imperador impassível, confinado no seu céu distante, mas está presente no meio do seu povo como Salvador poderoso e grande no amor.

Na primeira parte do hino de louvor prevalece o Senhor rei. Como um soberano Ele senta-se num trono de glória, um trono inabalável e eterno (cf. v. 2). O seu manto é o esplendor da transcendência, o cinto das suas vestes é a omnipotência (cf. v. 1). Precisamente a soberania omnipotente de Deus revela-se no centro do Salmo, caracterizado por uma imagem impressionante, a das águas caudalosas.
O Salmista menciona de modo mais particular a "voz" dos rios, ou seja, o bramido das suas águas. Efetivamente, o fragor de grandes cataratas produz, sobre aqueles que estão ensurdecidos e com todo o seu corpo tomado pelo estremecimento, uma sensação de grande força. O Salmo 41 recorda esta sensação quando diz:  "O abismo chama outro abismo no fragor das vossas cataratas. Todas as vossas vagas e torrentes passaram sobre mim" (v. 8). Face a esta força da natureza o ser humano sente-se pequeno. Mas o Salmista usa-a como trampolim para exaltar o poder, muito maior, do Senhor. À tripla repetição da expressão "as correntes elevam" (cf. Sl 92, 3) a sua voz, corresponde a tripla afirmação do poder superior de Deus.

Os Padres da Igreja gostam de comentar este Salmo aplicando-o a Cristo Senhor e Salvador. Orígenes, traduzido por São Jerónimo em latim, afirma:  "O Senhor reinou, revestiu-se de beleza. Isto é:  aquele que anteriormente tinha tremido na miséria da carne, resplandece agora na majestade da divindade". Para Orígenes, os rios e as águas que elevam as suas vozes representam as "figuras eminentes dos profetas e dos apóstolos", que "proclamam o louvor e a glória do Senhor, anunciam os seus juízos para todo o mundo".

Santo Agostinho desenvolve de modo ainda mais amplo o símbolo das correntes e dos mares. Como rios repletos de águas fluentes, isto é, cheios do Espírito Santo e fortificados, os Apóstolos já não têm receio e finalmente levantam a sua voz. Mas "quando Cristo começou a ser anunciado por tantas vozes, o mar começou a agitar-se". Na agitação do mar do mundo escreve Agostinho parece que a barca da Igreja flutua receosa, contrariada por ameaças e perseguições, mas "no alto, o Senhor é admirável":  ele "caminhou sobre as águas do mar e acalmou o seu fragor".

Mas o Deus soberano de todas as coisas, omnipotente e invencível, está sempre próximo do seu povo, ao qual dá os seus ensinamentos. Eis a ideia que o Salmo 92 oferece no seu último versículo:  ao trono altíssimo do céu sucede o trono da arca do templo de Jerusalém, o poder da sua voz cósmica é substituído pela doçura da sua palavra santa e inefável:  "São dignos de fé os Vossos testemunhos, da Vossa casa é própria a santidade, ó Senhor, por toda a extensão dos dias" (v. 5).

Encerra-se desta maneira um hino breve mas de grande intensidade. É uma oração que gera confiança e esperança nos fiéis que muitas vezes se sentem agitados, receosos de serem arrastados pela tempestade da história e atingidos por ameaçadoras forças obscuras.

Podemos reconhecer um eco deste Salmo no Apocalipse de João, quando o Autor inspirado, ao descrever a grande assembleia celeste celebra a derrocada da Babilónia opressiva, e afirma: "Ouvi, então, como que a voz de uma grande multidão, como o ruído de muitas águas e como o ribombar de grandes trovões que dizia:  "Aleluia! Eis que o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso, tomou posse do Seu Reino"" (19, 6).

Concluimos a nossa reflexão sobre o Salmo 92 dando a palavra a São Gregório de Nazianzo, o teólogo por excelência entre os Padres. Fazemo-lo com um seu bonito cântico no qual o louvor a Deus, soberano e criador, assume um aspecto trinitário:  "Tu [Pai], criaste o universo, a cada coisa atribuíste o lugar que lhe compete e tudo mantiveste em virtude da tua providência... é Deus-Filho o teu Verbo:  de fato, é consubstancial ao Pai, e igual a Ele na honra. Ele conciliou harmoniosamente o universo, para reinar sobre tudo. E, abraçando tudo, o Espírito Santo, Deus, de tudo cuida e tudo defende. A Ti proclamarei, Trindade viva, como único e só monarca... força inabalável que rege os céus, cuja visão não é acessível aos olhos mas que contempla todo o universo e conhece qualquer profundidade secreta da terra até aos abismos. Ó Pai, sê benigno comigo:  ... que eu possa encontrar misericórdia e graça, porque a ti são dadas glória e graças até ao fim dos tempos" .

-- Santo João Paulo II, na audiência de 3 de Julho de 2002 (papa)

quinta-feira, 20 de março de 2014


«Deus olha para o coração» (1S 16,17)

Terá o pobre sido recebido pelos anjos unicamente devido ao mérito da sua pobreza? E terá o rico sido enviado para o lugar dos tormentos apenas por culpa da sua riqueza ? Não: é preciso entendermos que foi a humildade que foi premiada no caso do pobre e o orgulho condenado no caso do rico.

Eis a prova de que não foi a riqueza mas o orgulho que levou a que o rico fosse castigado. O pobre foi levado para o seio de Abraão; mas as Escrituras dizem de Abraão que ele tinha muito ouro e prata e que era rico na terra (Gn 13,2). Se todos os ricos são enviados para o lugar dos tormentos, como pôde Abraão receber o pobre no seu seio? Acontece que Abraão, com toda a sua riqueza, era pobre, humilde, respeitador e obedecia a todas as ordens de Deus. Ele tinha a sua riqueza em tão pouca conta que, quando Deus lho pediu, aceitou oferecer em sacrifício o filho a quem destinava essa riqueza (Gn 22,4).

Aprendei, pois, a ser pobres e ter necessidades, quer possuais alguma coisa neste mundo quer não possuais nada. Porque encontramos mendigos cheios de orgulho e ricos que confessam os seus pecados. «Deus resiste aos orgulhosos», estejam eles cobertos de seda ou de trapos, «mas dá a sua graça aos humildes» (Tg 4,6), quer eles possuam, ou não, bens deste mundo. Deus olha para o interior; é aí que avalia, aí que examina.

Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja
Discursos sobre os salmos, Sl 85; CCL 39, 1178

quarta-feira, 19 de março de 2014

 «Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor»




Como foi fiel em humildade, este grande santo [que festejamos]! E tal não se pode dizer com base na sua perfeição pois, apesar de ser quem era, em que pobreza e opróbrio viveu durante toda a sua vida! Pobreza e opróbrio sob os quais escondeu e encobriu as suas grandes virtudes e a sua dignidade. […] Na verdade, não tenho dúvida nenhuma de que os anjos, cheios de admiração, vieram em bando considerar e admirar a sua humildade, quando ele guardava o Menino na oficina onde praticava o seu ofício, para alimentar o Filho e a Mãe que lhe estavam confiados.


Não há dúvida de que São José foi mais valente que David e mais sábio que Salomão [seus antepassados]; no entanto, vendo-o reduzido ao exercício da carpintaria, quem poderia conceber tal coisa sem estar iluminado pela luz celeste, tão bem escondidos ele trazia os dons admiráveis com que Deus o tinha agraciado? Mas tinha de ter muita sabedoria, visto que Deus tinha posto a seu cargo o seu glorioso Filho […], o Príncipe universal do céu e da terra! […] E, apesar de tudo, vedes como ele se rebaixou e humilhou mais do que se poderia dizer ou imaginar […]: foi à sua terra, à sua cidade de Belém, e ali ninguém foi mais rejeitado por todos do que ele. […] Vede como o Anjo o conduz à sua vontade: diz-lhe que tem de ir para o Egito e ele vai; ordena-lhe que regresse e ele regressa. Deus quer que ele se mantenha sempre pobre […], e ele a isso se submete amorosamente, e não apenas durante algum tempo, pois permaneceu pobre toda a sua vida.




São Francisco de Sales (1567-1622)
Bispo de Genebra, Doutor da Igreja
Conversas, nº 19

terça-feira, 18 de março de 2014


«Quem se humilhar será exaltado»


Não creio que haja alguém que precise tanto do socorro e da graça de Deus como eu. Por vezes sinto-me muito desarmada e fraca. E acredito que é por isso que Deus Se serve de mim. Uma vez que não posso contar com as minhas próprias forças, volto-me para Ele vinte e quatro horas por dia. E se o dia tivesse mais horas precisaria também da sua graça durante essas horas. Todos devemos agarrar-nos a Deus pela oração. O meu segredo é muito simples: rezo. Pela oração, uno-me a Cristo pelo amor. Compreendi que rezar-Lhe é amá-Lo. […]

As pessoas têm fome da Palavra de Deus que traz a paz, traz a união, traz a alegria. Mas não podemos dar o que não temos. É por isso que devemos aprofundar a nossa vida de oração. Sê sincero nas tuas orações. A sinceridade é a humildade e a humildade só se adquire aceitando as humilhações. Tudo o que foi dito sobre a humildade não chega para ta ensinar. Tudo o que leste sobre a humildade não chega para ta ensinar. Só se aprende a humildade aceitando as humilhações, e encontrarás humilhações ao longo de toda a tua vida. A maior das humilhações é saber que não somos nada; eis o que aprendemos quando nos encontramos frente a Deus na oração.

Por vezes, um olhar profundo e fervoroso para Cristo constitui a melhor das orações: olho-O e Ele olha-me. Neste face a face com Deus, só sabemos que não somos nada e que não temos nada.


Beata Teresa de Calcutá (1910-1997)
Fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
No Greater Love

segunda-feira, 10 de março de 2014

Santa Baquita, uma escrava moderna

Baquita nasceu em torno de 1869 na vila de Olgossa, próximo ao Monte Agilerei e da cidade de Darfur. Pertencia ao povo Daju, seu pai era razoavalmente próspero e muito respeitado, irmão do chefe da vila. Tinha três irmãos e três irmãs, como ela diz em sua auto-biografia: "Tinha uma vida feliz, sem preocupações, sem conhecer o sofrimento".

Ainda muito jovem, quando tinha cerca de oito anos, provavelmente em 1877, foi sequestrada por árabes mercadores de escravos. Já de início foi obrigada a andar cerca 960 quilômetros descalça até El Obeid, onde sua venda já estava arranjada até antes de chegar lá. Nos próximos 12 anos, ela foi revendida outras três vezes, até ser dada de graça. Devido ao trama do sequestro e outras violências, esqueceu seu nome; Baquita é um apelido dado por um dos seus captores e significa "sortuda"em árabe, tallvez por ter sobrevivido apesar de tudo. Também foi obrigada a seguir o Islamismo.

Um dos seus proprietários, um rico comerciante árabe, colocou-a para servir suas duas filhas, que a tratavam bem. Mas certa vez quebrou um vaso mais valioso que pertencia a um dos filhos, que enfurecido surrou-a com socos e chutes, deixando-a de cama por mais de um mês. Outro proprietário foi um general turco, Baquita deveria servir sua esposa e sogra, que eram bastante cruéis com os escravos. Relata ela: "Durante todos os anos que passei naquela casa, não lembro um dia em que tenha sido ferida ou espancada. Quando uma ferida começava a sarar, logo outros golpes abriam novos ferimentos". 

Certo dia ela e outros escravos foram marcados. As duas mulheres assistiram e colaboraram. Primeiro utilizando farinha, elas marcaram linhas no corpo de Baquita; então, com uma faca cortaram ao longo das linhas e colocaram sal nas feridas abertas para tornar as cicatrizes permanentes. Foram contadas 114 cicatrizes nos seios, ventre e braço direito. 

Ao final de 1882, a cidade de El Obeid estava ameaçada por revolucionários. O general turco começou a preparar o retorno para seu país, vendendo todos escravos, exceto 10 deles. Baquita foi comprada pelo Vice-Consul italiano Callisto Legnani, que era um homem mais culto e gentil. Pela primeira vez em muitos anos ela pode ter um pouco de tranquilidade. Quando Legnani, dois anos depois, retornou a Itália, Baquita implorou para não ser vendida e servi-lo em sua casa na Itália. Ao final de 1884, a família teve que fugir da cidade que já estava cercada, empreendendo uma travessia de 650 km no lombo de camelos por áreas perigosas até o porto de Suakin. Em Abril de 1885 chegaram ao porto de Genova. Legnani deu Baquita de presente para a família Michieli que também havia fugido do Sudão. Seus novos proprietários a levaram para uma mansão próxima a Veneza, onde Baquita ficou responsável por criar a filha recém-nascida do casal, que chamava-se Alice. 

Em 1886, Augusto Michieli decidiu comprar um hotel no porto de Suakin, vender sua mansão na Itália e transferir toda família de volta para o Sudão. A venda da casa demorou muito mais que o esperado. Em 1888, Baquita e a menina Alice foram colocadas em um convento sob custódia das irmãs canossianas, em Veneza, para aguardar o momento adequado de se irem para o Sudão. Mas quando sua proprietária retornou para levá-la, Baquita recusou-se firmemente, contando com o apoio da irmã superior, que nesta época já contava Baquita entre suas catecúmenas, candidatas a entrar na irmandade. A questão foi parar nos tribunais e em 29 de Novembro de 1889 foi decidido que como a escravidão já estava legalmente extinta tanto na Itália quanto no Sudão, Baquita nunca fora uma escrava; estava então com cerca de 20 anos e poderia escolher seu destino. Preferiu continuar seu caminho junto com as irmãs canossianas.

Em 9 de Janeiro de 1890 foi batizada, recebeu primeira comunhão e crisma do Arcebispo Giuseppe Sarto, futuro Papa Pio X. Assumiu o nome de Josephine Margaret e Fortunata (a tradução para o italiano de "sortuda"). Após este dia, sempre que havia ocasião, Baquita ia até a pia batismal, ajoelhava-se e beijava-a, dizendo: "Aqui tornei-me filha de Deus".

Em 7 de Dezembro de 1893 entrou no noviciado das Irmãs Canossianas e em 8 de Dezembro de 1896 proclamou seus votos, em celebração presidida pelo Cardeal Sarto. Em 1902 foi transferida para o convento de Schio, onde passou o resto de sua vida, exceto por um período entre 1935 e 1939, quando residiu no Noviciado Missionário de Milão e ajudou na preparação de jovens irmãs que iriam para a África. Segundo ela, seu coração e orações estavam sempre em Deus e na África.

Certa vez uma estudante lhe perguntou: "Irmã, o que você faria se viesse a reencontar seus captores e proprietários?" Ela respondeu:"Se eu viesse a encontrar meus sequestradores e torturadores, eu me ajoelharia aos seus pés e beijaria suas mãos. Por que se tais coisas não tivessem me acontecido, eu não seria uma cristã".

Durante 42 anoos, em Schio, Baquita ajudou como cozinheira, sacristã e porteira, tornando-se bastante conhecida na cidade. Sua gentileza, calma e alegria tornaram-na reconhecida pelos habitantes, que a chamavam de "Madre Morena". Seu carisma e reputação de santidade foram reconhecidos pela ordem, que em 1931 publicou um pequeno livro com sua história (Storia Meravigliosa, de Ida Zanolini), tornando-a famosa por toda It;alia. Durante a II Guerra, quando havia bombardeios, os habitantes corriam para o convento e pediam para que ela rezasse por todos. Embora bombas tenham caído em Schio, nenhum habitante morreu ou ficou gravemente ferido.

Seus últimos anos foram marcados pela doença, que a colocou em cadeiras de rodas. Sempre que perguntada sobre sua condição, respondia que estava como "o Mestre desejava". Suas últimas palavras foram "Eu estou tão feliz. Nossa Senhora, Nossa Senhora!". Santa Baquita morreu em 8 de Fevereiro de 1947, às 8:10 da noite. Por três dias os italianos vieram prestar-lhe homenagens.

Os pedidos para sua canonização iniciaram-se imediatamente e o processo foi instalado pelo Papa João XXIII. Em 1o de Dezembro de 1978, o Papa João Paulo II declarou-a venerável; em 17de Maio de 1992, declarou-a beata e em 1o de Outubro de 2000, foi canonizada. Sua memória é celebrada em 8 de Fevereiro.

Fonte: Tesouros da Igreja Católica

domingo, 2 de março de 2014

Maria sabia desde o início...

A Santíssima Mãe do Salvador passou toda a vida meditando, refletindo sobre as virtudes e os sofrimentos de seu Filho.

Quando ouviu os anjos cantarem cânticos de alegria, no nascimento do Menino-Deus, quando viu os pastores a adorá-lo no estábulo, seu espírito se encheu de admiração e ela passou a meditar todas essas maravilhas em seu coração. Maria comparava as magnitudes do Verbo encarnado à sua profunda pobreza e humildade; a palha e o berço, ao seu trono e ao seio do Pai; o poder de um Deus à fraqueza de uma criança; sua sabedoria à sua simplicidade.

A Santíssima Virgem disse um dia a Santa Brígida: “Quando eu contemplava a beleza, a modéstia, a sabedoria de meu filho, minha alma se enchia de alegria, e quando eu apreciava suas mãos e seus pés que um dia seriam perfurados com pregos, eu derramava uma torrente de lágrimas e meu coração se despedaçava de tristeza e de dor.”
São Luís Maria Grignon de Monfort 
Em Le Secret Admirable du Très Saint Rosaire pour se convertir et se sauver, (O segredo admirável do Rosário para se converter e se salvar) Mistérios dolorosos 3ª dezena, § 72

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Do seio de Maria, ao seio que abrigava João Batista

A Igreja celebra três nascimentos: o do Filho de Deus, o de sua Mãe e o de João Batista. (...) De todos os outros santos nós mantemos, apenas, o dia de seu nascimento para a vida eterna, ou seja, o dia da passagem deste mundo para o outro.

A exceção feita a São João baseia-se na graça de santificação, com a qual ele foi beneficiado desde o ventre de sua mãe, no momento da Visitação de Maria à sua prima Isabel (Lc 1 , 39-56 ).

(...) Se perguntarmos por que Nosso Senhor nasceu no solstício de inverno e João no equinócio de verão, Santo Agostinho nos responderá que aquele que disse: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3 , 29-30) nasce quando os dias começam a diminuir, enquanto Cristo veio ao mundo como "o sol nascente, para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz".

(Lc 1, 78-79). (...)
Fonte: UM MINUTO COM MARIA

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Não vedes? Ainda não compreendestes?


«Deus, meu Deus, procuro-Te desde a aurora» (Sl 62,2 Vulg). […] Ó luz mui serena da minha alma, manhã resplandecente, torna-Te em mim o nascer do dia; brilha sobre mim com tanta clareza que na tua luz vejamos a luz (Sl 35,10). Que através de Ti a minha noite se transforme em dia. Minha manhã muito amada, que por amor do teu amor eu despreze tudo o que não és Tu.  Visita-me desde a aurora para me transformares súbita e totalmente em Ti. […] Destrói tudo o que é de mim; faz com que eu passe totalmente para Ti, de modo que nunca mais me possa encontrar em mim durante este tempo limitado, mas que fique estreitamente ligada a Ti para a eternidade. […]

Quando serei saciada por beleza tão grande e tão brilhante? Ó Jesus, magnífica Estrela da manhã (Ap 22,16), resplandecente de claridade divina, quando serei iluminada pela tua presença? Esplendor tão digno de amor, quando me saciarás de Ti? Oh, se aqui em baixo eu pudesse descobrir ao menos os raios delicados da tua beleza […], ter ao menos uma percepção da tua doçura e saborear-Te antecipadamente, a Ti que és a minha herança de eleição (cf Sl 15,5). […] Tu és o espelho resplandecente da Trindade Santa que é permitido aos puros de coração contemplar (Mt 5,8): lá em cima face a face, cá em baixo apenas num reflexo.


 Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301)
Monja beneditina  - Exercícios, n° 5; SC 127

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A SERVA DE DEUS
IR. CONSOLATA BETRONE


"A vida dos Santos é para todos nós uma norma de vida": foi com estas palavras que, no dia 8 de Fevereiro de 1955, em Turim, no Santuário de Maria Auxiliadora, o arcebispo cardeal Giovanni Saldarini deu início ao processo de canónico de cinco causas de beatificação.
Uma delas era a da monja clarissa capuchinha Irmã Maria Consolata  Betrone. A 23 de Abril de 1999, encerrou-se o processo canónico diocesano para a beatificação, sendo então enviado para Roma. Os traços biográficos da nova Serva de Deus, nascida em Saluzzo (Cuneo, Italia), a 6 de Abril de 1903 e falecida a 18 de Julho de 1946, no Mosteiro "Sacro Cuoro" de Moncalieri-Moriondo (Turim), poderiam esgotar-se na parábola de uma vida que durou apenas 43 anos, 17 dos quais em rigorosa clausura. E assim teria sido, se Deus não tivesse feito da sua breve existência um meteoro flamejante de amor eterno...
Por intermédio de Consolata, Deus parece querer educar novamente  o coração do homem para a união com Ele, pois entre o Criador e a criatura já não há subordinação servil, mas sim intimidade. É substancialmente este o conteúdo da invocação: "Jesus, Maria, eu amo-Vos; salvai almas!", característica da "Picolissima via d'amore", "Pequeníssimo caminho de amor", indicado pelo Senhor à humilde capuchinha para reconquistar para a graça e para a misericórdia, com um simples ato de confiança, milhões de almas atormentadas pelo pecado.
Foi por mérito do Padre Lorenzo Sales (1889-1972), seu confessor e diretor espiritual desde 1934 , tê-la ajudado com sabedoria e discernimento na obra de Deus, escrita mais na vida de Irmã Consolata do que nos apontamentos do seu diário. 

Aconselho vivamente a leitura desta obra: o coração de Jesus ao Mundo, do Padre Lorenzo Sales, em língua portuguesa, da edição paulinas, que reconstituiu a mensagem recebida de Jesus pela Serva de Deus Maria Consolata Betrone.
http://www.consolatabetrone-monasterosacrocuore.it/page/POR/preghieracuore.html

O que a Virgem Maria ensina a Joana da França

Santa Joana de França (1464-1505), é filha do rei Luís XI e da rainha Charlotte de Saboia. Aos doze anos, ela foi imposta em casamento ao duque Luís de Orleans, que jamais aceitaria esta união forçada. Quando, em 1498, ele subiu ao trono da França, pediu a Roma o reconhecimento de nulidade do matrimônio.

Joana, liberada de seus deveres conjugais, fundou, então, em Bourges, a Ordem da Virgem Maria (l´Annonciade). A Virgem Maria ensinou três coisas a Joana, apropriadas para fazê-la progredir no caminho do prazer de Deus e da união com o Cristo: a escuta da Palavra de Deus, a meditação sobre a Paixão de Cristo e o amor à Eucaristia.

O confessor de Joana relata que a Virgem também pediu à jovem que se tornasse uma artesã da paz − no local onde residia −, de ser sua advogada, nas suas conversas e palavras, de tentar estabelecer a paz entre todas as pessoas com quem ela vivia, de não dizer nada além de palavras de paz, levando em conta a salvação das almas, de não dar ouvidos às palavras caluniosas, de perdoar, sempre, e de sempre pedir desculpas. Fazer isso é um abençoado caminho de vida.

Irmã Marie-Emmanuel
Mosteiro de l´Annonciade

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Maria, um remédio como a grama verdejante

A regra da providência divina é que ela providencie, para cada caso, de acordo com o que lhe convém. É por isso que, para o homem, sendo ele humano, ela providencia um remédio derivado da terra. Então, [nós lemos] em Eclesiástico (ou Sirácida): Da terra o Senhor criou os símplices, as plantas medicinais, o Senhor faz sair da terra o remédio. (Eclo 38, 4).

Dois remédios de terra nos são oferecidos: a grama verdejante e as árvores frutíferas. A grama verdejante é a Santíssima Virgem, celebrada, neste momento, pela Igreja, na Natividade do Senhor. Na verdade, ela é tida como a grama, por causa da sua humildade; verdejante, por causa de sua virgindade; e a que leva, a que contém o fruto, devido à sua fecundidade.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Dulcíssima Virgem Maria

Dulcíssima Virgem Maria,

Tu és é a mãe de todos os pobres humanos

E, especialmente, minha Mãe...

Minha Mãe, tu és forçada a atender a todos os meus pedidos.

Para a honra e glória de teu Filho,

peço que me aceites como teu filho,

sem levar em conta a minha miséria e os meus pecados.

Livra a minha alma e o meu corpo de todo o mal

e dá-me, acima de tudo, a humildade.

dá-me todos os  teus dons, bens e

graças que agradam à Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,

Amém.

São Francisco de Sales 
(+ 28 dezembro de 1622)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A LUZ DA FÉ - LUMEN FIDEI

«Se Deus nos reconciliou consigo pela morte de seu Filho quando ainda éramos pecadores, 
muito mais [...] seremos salvos pela vida de Cristo ressuscitado» (Rom 5,10)
A maior prova da fiabilidade do amor de Cristo encontra-se na sua morte pelo homem. Se dar a vida pelos amigos é a maior prova de amor (cf Jo 15,13), Jesus ofereceu a sua vida por todos, mesmo por aqueles que eram inimigos, para lhes transformar o coração. É por isso que os evangelistas situam na hora da Cruz o momento culminante do olhar de fé: naquela hora resplandece o amor divino em toda a sua sublimidade e amplitude. São João colocará aqui o seu testemunho solene, quando, juntamente com a Mãe de Jesus, contemplou Aquele que trespassaram (cf Jo 19,37): «Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também» (Jo 19, 35). […]

É precisamente na contemplação da morte de Jesus que a fé se reforça e recebe uma luz fulgurante; é aqui que ela se revela como fé no seu amor inabalável por nós, amor que é capaz de penetrar na morte para nos salvar. É possível crer neste amor que não se subtraiu à morte para manifestar quanto me ama; a sua totalidade vence toda e qualquer suspeita e permite-nos confiar-nos plenamente a Cristo.

Ora, a morte de Cristo desvenda a total fiabilidade do amor de Deus à luz da sua ressurreição. Enquanto ressuscitado, Cristo é testemunha fiável, digna de fé (cf Ap 1,5; Heb 2,17), apoio firme para a nossa fé.

Papa Francisco 
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», §§ 16-17
(trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)  

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

É difícil escutar a voz de Deus

É difícil escutar a voz de Deus em nosso coração e descobrir seus desejos, a missão que Ele nos confiou. O Espírito Santo fala no silêncio e nós não o ouvimos, porque parece haver barulho demais.
 
Você conhece a lenda do monge e do templo na ilha? Disseram ao monge que os sinos mais belos era ouvidos nessa ilha, mas que, com o passar dos séculos, a ilha havia afundado no mar e, com ela, o templo e seus sinos. Uma antiga tradição afirmava que os sinos continuavam tocando sem cessar e que qualquer um que prestasse muita atenção poderia ouvi-los.
 
O único desejo do monge era ouvir esses sinos. E ele ficou sentado durante dias na beira do mar, diante do lugar em que o templo havia existido, e tentava ouvir com toda a atenção. Mas só escutava o barulho das ondas ao bater nas pedras. Ele fez todo o esforço possível para afastar de si o barulho das ondas, com o fim de ouvir os sinos. Mas foi em vão: o mar parecia inundar o universo.
 
Um dia, desanimado, desistiu da sua ideia, acreditando não ser um dos seres afortunados a quem era dado o dom de ouvir os sinos. Em seu último dia no local, ele apenas deitou na areia, contemplando o céu e ouvindo o som do mar. Naquele dia, ele não opôs resistência ao som do mar, apenas se entregou, e descobriu que o som das ondas era realmente doce e agradável. E foi ficando absorto naquele som, até seu coração ficar em silêncio profundo. E, em meio àquele silêncio, ele ouviu! Primeiro um sino, depois outro, outro e outro. E todos e cada um dos mil sinos do templo, que formavam uma gloriosa harmonia. Seu coração transbordou de assombro e alegria.
 
Sonhamos com ouvir a voz de Deus, buscamos o silêncio e nos retiramos do mundo. Não o encontramos. Os barulhos da vida nos incomodam e queremos evita-los. Queremos fazer silêncio, mas não conseguimos, porque continuam os barulhos, as vozes, os gritos. Não há silêncio em nosso interior e no mundo que nos cerca.
 
A história dos sinos no mar nos ensina a orar sem desprezar o mundo que nos rodeia, sem querer fugir dele. Quando aprendermos a ouvir nossa alma cheia de barulho, as ondas do nosso interior, o mar dos que estão ao nosso lado, a vida com sua falta de paz, esse dia cheio de atividades, então conseguiremos escutar os sinos de Deus.
 
Quantas vezes não vemos Deus no cotidiano! Não sabemos onde Ele está, nem o que quer de nós. Onde está nessa dor que sentimos, na rotina, em nossa família ou na tempestade do nosso coração. Ou diante de uma decisão difícil, de um fracasso.
 
Gostaríamos de ver o céu se abrindo e Deus dizendo “Sou eu, estou aqui”. Mas Ele fala de outra forma, às vezes apenas sussurra. Se começarmos a ver nossa vida e tudo o que os cerca com os olhos de Deus, descobriremos o melhor caminho para ouvi-lo.
 
Às vezes, essa voz de Deus são as pessoas que passam pela nossa vida. Aí podemos escutar Deus. Não andando na ponta dos pés sobre a vida, mas segurando-a entre as mãos. Não queremos abstrair-nos de todos os barulhos do mundo, mas colocando nosso coração ali, na realidade em queDeus nos fala.
 
No meio dos nossos barulhos, é possível ouvir a voz de Deus pronunciando nosso nome, dizendo-nos o quanto nos ama. Sim, nosso nome está escrito em tudo o que nos cerca, pronunciado por Jesus. E o nome de Jesus também está presente em todas as realidades, mas às vezes nós o pronunciamos timidamente.
 
É preciso amar o mundo no qual Cristo se fez carne. Aí mesmo, entre as pessoas, na falta de amor e paz, pois aí nasce o eterno. Aí começa a fronteira da eternidade. Aí entendemos o sentido da nossa vida, e os sinos de Deuscomeçam a tocar na nossa alma. Sua voz é doce e clara.
 
Escutemos o que Deus nos fala a cada dia e sigamos o caminho que Ele nos mostra.

Fonte: Aleteia - Padre Carlos Padilla

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A fé, uma força consoladora no sofrimento


O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se acto de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. […] A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para muitos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. 


Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explica tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nele vermos a luz. Cristo é Aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2).


Papa Francisco 
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», §§ 56-57
(trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014


Primeiro que tudo, queremos recordar uma verdade, que muito bem conheceis e é absolutamente necessária no combate a qualquer veneno de racionalismo. Verdade, que muitos mártires selaram com o próprio sangue, e célebres Padres e Doutores da Igreja professaram e ensinaram constantemente. É a seguinte: a Eucaristia é um Mistério altíssimo, é, propriamente, o Mistério da fé, como se exprime a Sagrada Liturgia: "Nele só, estão concentradas, com singular riqueza e variedade de milagres, todas as realidades sobrenaturais", como muito bem diz o nosso predecessor Leão XIII de feliz memória.[4]

São João Crisóstomo, que, como sabeis, tratou com tanta elevação de linguagem e tão iluminada piedade o Mistério Eucarístico, exprimiu-se nos seguintes termos precisos, ao ensinar aos seus féis esta verdade: "Inclinemo-nos sempre diante de Deus sem o contradizermos, embora o que Ele diz possa parecer contrário à nossa razão e à nossa inteligência; sobre a nossa razão e a nossa inteligência, prevaleça a sua palavra. Assim nos comportemos também diante do Mistério (Eucarístico), não considerando só o que nos pode vir dos nossos sentidos, mas conservando-nos fiéis às suas palavras. Uma palavra sua não pode enganar".[5]

Idênticas afirmações encontramos freqüentemente nos Doutores Escolásticos. Estar presente neste Sacramento o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Cristo, "não é coisa que se possa descobrir com os sentidos, diz Santo Tomás, mas só com a fé, baseada na autoridade de Deus. Por isso, comentando a passagem de São Lucas, 22,19: Isto é o meu corpo que será entregue por vós", diz São Cirilo: "Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, mas aceita com fé as palavras do Salvador; sendo Ele a Verdade, não mente.[6]

Repetindo a expressão do mesmo Doutor Angélico, assim canta o povo cristão: Enganam-se em ti a vista, o tato e o gosto. Com segurança só no ouvido cremos: creio tudo o que disse o Filho de Deus. Nada é mais verdadeiro do que esta palavra de verdade.

Mais ainda: é São Boaventura quem afirma: Estar Cristo no Sacramento como num sinal, nenhuma dificuldade tem; estar no Sacramento verdadeiramente, como no céu, tem a maior das dificuldades: é pois sumamente meritório acreditá-lo.[7]

O mesmo dá a entender o Evangelho ao contar que muitos discípulos de Cristo, ao ouvirem falar de comer carne e beber sangue, voltaram as costas e abandonaram o Senhor, dizendo: Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las? Perguntando então Jesus se também os Doze se queriam retirar, Pedro afirmou, com decisão e firmeza, a fé sua e a dos Apóstolos, com esta resposta admirável: Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna [8]

Ao magistério da Igreja confiou o Redentor divino a palavra de Deus tanto escrita como transmitida oralmente, para que a guardasse e interpretasse. É esse magistério que devemos seguir, como estrela orientadora, na investigação desse Mistério, convencidos de que "embora não esteja ao alcance da razão e embora se não explique com palavras, continua sempre a ser verdade aquilo que há muito se proclama com a fé católica genuína e é objeto de crença em toda a Igreja". [9]

Ainda não é tudo. Salva a integridade da fé, é necessário salvar também a maneira exata de falar, não aconteça que, usando nós palavras ao acaso, entrem no nosso espírito, o que Deus não permita, idéias falsas como expressão da crença nos mais altos mistérios. Vem a propósito a advertência de Santo Agostinho sobre o modo diverso como falam os filósofos e os cristãos: "Os filósofos, escreve o Santo, falam livremente, sem medo de ferir os ouvidos das pessoas religiosas em coisas muito difíceis de entender. Nós, porém, devemos falar segundo uma regra determinada, para evitar que a liberdade de linguagem venha a causar maneiras de pensar ímpias, mesmo quanto ao sentido das palavras".[10]

Donde se conclui que se deve observar religiosamente a regra de falar, que a Igreja, durante longos séculos de trabalho, assistida pelo Espírito Santo, estabeleceu e foi confirmando com a autoridade dos Concílios, regra que, muitas vezes, se veio a tornar sinal e bandeira da ortodoxia da fé. Ninguém presuma mudá-la, a seu arbítrio ou a pretexto de nova ciência. Quem há de tolerar que fórmulas dogmáticas, usadas pelos Concílios Ecumênicos a propósito dos mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação, sejam acusadas de inadaptação à mentalidade dos nossos contemporâneos, e outras lhes sejam temerariamente substituídas? Do mesmo modo, não se pode tolerar quem pretenda expungir, a seu talante, as fórmulas usadas pelo Concílio Tridentino ao propor a fé no Mistério Eucarístico. Essas fórmulas, como as outras que a Igreja usa para enunciar os dogmas de fé, exprimem conceitos que não estão ligados a uma forma de cultura, a determinada fase do progresso científico, a uma ou outra escola teológica, mas apresentam aquilo que o espírito humano, na sua experiência universal e necessária, atinge da realidade, exprimindo-o em termos apropriados e sempre os mesmos, recebidos da linguagem ou vulgar ou erudita. São, portanto, fórmulas inteligíveis em todos os tempos e lugares.

Pode haver vantagem em explicar essas fórmulas com maior clareza e em palavras mais acessíveis, nunca, porém, em sentido diverso daquele em que foram usadas. Progrida a inteligência da fé, contanto que se mantenha a verdade imutável da fé. O Concílio Vaticano I ensina que nos dogmas "se deve conservar perpetuamente aquele sentido que, duma vez para sempre, declarou a Santa Madre Igreja, e que nunca é lícito afastarmo-nos desse sentido, pretextando e invocando maior penetração".

-- Carta Encíclica Mysterium Fidei, Papa Paulo VI, em 3 de Setembro de 1965

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

"... A verdade nasceu da Virgem Maria"


Santo Agostinho explica com feliz concisão: “O que é a verdade? É o Filho de Deus. O que é a terra? A carne. Pergunta a ti mesmo, onde nasceu o Cristo, e descobre por que da terra germinou a Verdade... A verdade nasceu da Virgem Maria "(Sl 85 [84], 13).

E, em um discurso sobre o Natal, ele diz: "Com esta festa, que retorna a cada ano, nós celebramos, comemoramos, então, o dia em que foi cumprida a profecia: "Da terra germinará a Verdade e a Justiça se inclinará do Céu”.  A verdade que está no seio do Pai Eterno surgiu da terra, porque esteve, igualmente, no seio de humana mãe. A Verdade que governa o mundo inteiro, emergiu da terra, porque foi amparada pelas mãos de uma mulher...

“A verdade, que o céu não é capaz de conter, brotou da terra para ficar deitada numa manjedoura. E para quem tão sublime vantagem? E por que motivo e para quem Deus se fez tão humilde? Certamente, sem nenhum benefício para Ele, Deus, mas para oferecer grande vantagem àqueles que creem”. “Desperte, humanidade! Por sua causa Deus tornou-se homem! Desperte, você que dorme; renasça e Cristo o iluminará! Dir-lhe-ei, novamente: por sua causa Deus tornou-se homem. Se Ele não tivesse nascido, você permaneceria morto por toda a eternidade.” (Sermões, 185, 1)


SANTO AGOSTINHO

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Um lírio sobre o qual estavam escritas, em letras de ouro, as palavras “Ave Maria”

Em meados do século XIV, vivia em uma clareira, um homem chamado Salaün. As pessoas o chamavam familiarmente "Le Fou du Bois"(O louco do bosque). Considerado um "inocente", uma pessoa simples, Salaün mendigava, implorando o pão, de fazenda em fazenda, repetindo incansavelmente: "Ave Maria! Salaün bem que comeria um pedaço de pão!".

Ele faleceu por volta de 1358 (aos 48 anos), sob a indiferença de todos. Salaün foi enterrado na aldeia de Lannuchen, perto da residência senhorial de Kergoff. Ainda hoje, pode-se ver o calvário, enquadrado por quatro pedras ovais provenientes do seu túmulo.

Mas, logo após a sua morte, descobriu-se, sobre o túmulo − perto do carvalho onde costumava se balançar e a fonte onde molhava o seu pão −, um lírio sobre o qual  estavam escritas as palavras "Ave Maria" , em letras de ouro.

Ao abrir o túmulo, constatou-se que aquele lírio tinha criado raízes nos lábios do falecido. O milagre rapidamente atraiu multidões e o povo quis construir uma capela sobre o túmulo do "inocente".

Em 1419, Monsenhor de La Rue, Bispo de Léon, abençoou o santuário que foi erguido como Colegiada, por João V, mais tarde, em 1423.

Fonte: UM MINUTO COM MARIA

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

AMOR À BELEZA


O cristianismo é “amor à Beleza”, caminho da beleza, ou não é nada, afirmaram os mestres da espiritualidade cristã. Na língua grega se usa a palavra filocalia, que se traduz por amor à beleza: ser cristão é ser filocálico, é ser buscador e construtor do belo que é reflexo do Belo, Deus.
Deus caritas est: Deus é amor. Tudo o que fazemos e anunciamos aprofunda as raízes nessa certeza: Deus é amor. Amor que transforma o mármore bruto em obra de arte, em beleza. Quem de nós não conhece pessoas que eram pedra bruta, mármore sem brilho e pela graça foram transformados em beleza, em seres luminosos? Crer é belo! O Cristianismo é anúncio da vida bela, brotada da fonte do amor, Deus.
“A Beleza salvará o mundo”, escreveu o romancista e teólogo russo Fiódor Dostoievski. A Beleza que salvará o mundo é o Deus Trindade: harmonia e beleza sem limites, amor que une três Pessoas num Deus, a juventude do Filho, a feminilidade do Espírito, o encanto criador do Pai. Os místicos gostam de falar de Deus como “o Formoso”. Deus é a formosura que nos atrai incontrolavelmente.
Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus, à imagem e semelhança da Beleza. O pecado não destruiu a imagem de Deus em nós, mas tirou-nos a beleza da semelhança com Deus. A finalidade da vida cristã é recuperar essa semelhança, recuperar a Beleza de Deus. A essa obra denominamos divinização, deificação: Deus se fez homem em Jesus para que o homem se tornasse Deus em Jesus. Jesus, narração da Beleza divina, nos faz participar dessa mesma Beleza pela fé, oração, caridade, orientadas pela Palavra de Deus. Ficamos santos, belos, ruminando a Palavra, dia por dia, a vida toda.
A Beleza divina a que nós somos chamados não é a beleza estética, mas a Beleza do Bem. O Cristo Crucificado é Belo em seu amor total por nós; um velhinho enrugado é belo na Luz que resplandece em sua face. A Trindade se revelou de modo pleno na beleza de Maria, venerada por todos os povos em sua beleza e encanto A filocalia, o amor à Beleza, quer nos ajudar e a contemplar nosso Deus, participar das energias divinas e assim sermos reflexos da Luz divina.
A Literatura cristã oferece diversas Filocalias: a da Antiguidade, com textos do Santos Pais gregos; a dos eslavos, volumosa, composta no Monte Athos no século XVIII e até hoje alimento tanto da vida monástica como da vida dos cristãos que buscam a santidade; as pequenas Filocalias editadas pelos mosteiros, Igrejas, nações...
Pe. José Artulino Besen
http://www.philocalia.com.br/