JESUS, EU CONFIO EN VÓS

Somo Servos da Misericórdia Divina.

O que é extraordinário, nos textos e mensagens entre Jesus e a Irmã Faustina, é que em qualquer dos textos citados podemos identificar-nos com a Irmã Faustina, como se estas mensagens estejam diretamente dirigidas a cada um de nós. A alma que tem sede de Deus, e por ter procurado uma intimidade com Ele, mas sem saber como a alcançar, está agora em plena consciência, enquanto anteriormente não distinguia claramente a Sua voz, nem compreendia a Sua mensagem, a partir da leitura das declarações de Jesus e suas interpretações da Irmã Faustina, o véu abriu-se e agora tudo ficou transparente e nítido.

Estas mensagens, que nos foram dirigidas, ao longo de toda a nossa vida, ganharam sentido, ultrapassando a barreira do tempo e agora disponíveis e compreensíveis para todos aqueles que o desejam, em comunhão com os Santos e a Santa Igreja, pela graça da Misericórdia Divina.


Diariamente, colocaremos citações da obra de Santa Faustina, ou de outros autores que também receberam graças muito especiais, que o ajudará, com certeza, na sua meditação diária.

sábado, 20 de abril de 2013

CORRESPONDER AO CHAMADO DO MEU CORAÇÃO



Que motivo tenho, para corresponder ao chamado do meu coração, quando por meio de um movimento de devoção sincera e de alegre admiração, meu coração deseja saudar, cumprimentar esta jovem, filha de Belém, como a bendita entre todas as mulheres? Ela é a mãe do Senhor, a mãe do meu Senhor. Aqui está o mais profundo alicerce da minha veneração por ela e da minha gratidão com respeito dela. 

Mesmo quando se trata de vida natural, uma claridade incomparável envolve, aureola este nome “Mãe”. Por um sentimento humano autêntico, esta denominação "Mãe", tudo o que dela depende e o que ela significa, sugere algo de sagrado e de inviolável. O próprio nome “mãe” já engloba, encerra tudo o que existe de mais terno e de mais puro na vida do homem. Seria possível para você, depreciar a sua mãe ou falar mal dela? Você gostaria de apagar a imagem dela da sua alma? 

É por isso que, para mim, está bem claro que, se Jesus é querido por nós como nosso Senhor e nosso Salvador, é evidente que tenhamos sentimentos calorosos e profundos para com a mulher que Ele chamava sua Mãe, sua própria Mãe. Honrar a Jesus e desprezar a sua Mãe, glorificá-Lo e depreciar a sua Mãe, isso não pode se harmonizar se nós o reconhecemos como o verdadeiro filho de Maria, a virgem da cidade de Davi, o que fazemos a cada vez que recitamos o Credo dos Apóstolos: "Creio em Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria".

Pastor E. Eidem, 
Herrens Moder (a Mãe de Deus - Variações sobre o Magnificat), Uppsala 1929 
Citado por Bento Thierry Argenlieu a obra Maria, Rainha do Norte, em: Maria – estudos sobre a Virgem Maria – sob a direção de Hubert du Manoir, S.J. Volume IV, 1956, p. 450-451 
Fonte: Um Minuto com Maria

OBEDIÊNCIA

     
 "Vim para cumprir a Vontade de Meu Pai. Fui obediente aos pais, obedeci aos algozes e sou agora obediente aos sacerdotes."
     "Ó Jesus, compreendo o espírito de obediência e em que consiste: abrange não apenas o comportamento exterior, mas também o entendimento, a vontade e o juízo. Obedecendo aos Superiores, somos obedientes a Deus. Pouco importa que se trate dum Anjo, ou dum homem, a ordenar, desde que a mando de Deus, devo ser sempre  obediente."
                                                       (D.535)

SACERDOTES, AJUDAI-ME NISTO

     
        "Quando entrei na capela, fui, uma vez mais , invadida pela Majestade divina; sentia-me inteiramente submergida em Deus, toda imersa n'Ele e d'Ele impregnava, vendo quanto o Pai Celestial nos ama. Oh, que grande beatitude enche a minha alma pelo conhecimento  de Deus, da Vida divina! Desejo partilhar esta felicidade com todos os homens, não a posso guardar no coração só para mim, porque as suas chamas queimam-me e fazem dilacerar o meu peito e as minhas entranhas. Tenciono ir pelo mundo a falar ás almas desta grande Misericórdia de Deus. Sacerdotes, ajudai-me nisto, e utilizai as palavras mais poderosas sobre a Sua divina Misericórdia, pois tudo é demasiado pouco [para indicar] quanto é misericordioso."
(D.491)

NA SAGRADA COMUNHÃO

     
       " Jesus, quando vindes a mim [na] Sagrada Comunhão. Vós que Vos dignastes habitar com o Pai e o Espírito santo no pequeno céu do meu coração, procuro fazer-Vos companhia o dia inteiro, não Vos deixando sozinho nem por um momento. E ainda que me encontre na companhia de pessoas, ou com as educandas, o meu coração está sempre unido ao Vosso. Antes de adormecer, ofereço-Vos cada batimento do meu coração; e, logo que acordo, em Vós mergulho sem uma palavra dizer. Ao despertar, glorifico por um momento a Santíssima Trindade, agradeço por se ter dignado dar-me ainda esse dia, e por uma vez mais, se repetir de novo em mim, não só o mistério da Encarnação do Vosso Filho, mas também, perante os meus olhos, a Vossa dolorosa Paixão. E assim, procuro ir facilitando que Jesus por meu intermédio chegue às outras almas; com Ele vou a todo o lado e Sua Presença acompanha-me por toda a parte."
(D.486) 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

TENHO PERMANENTEMENTE OS OLHOS POSTOS NA SUA DOLOROSA FACE

         "Nos sofrimentos da alma ou do corpo tento sempre ficar calada, porque o meu espírito nessa altura enche-se da força que brota da própria Paixão de Jesus. Tenho permanentemente  os olhos postos na Sua Dolorosa Face, ultrajada e desfigurada; fixo o meu olhar no Seu Divino Coração trespassado pelos nossos pecados e, em especial, pela ingratidão das almas eleitas.
(D.487)

O MEU NOME É HÓSTIA

     
   "Aceito com a mesma disposição, quer a alegria, quer o sofrimento, o elogio ou a humilhação, pois nunca esqueço que uns e outros são passageiros, e não me importo o que digam de mim. Já há muito tempo renunciei a tudo o que se refere à minha pessoa. O meu nome é hóstia, ou vítima, não em palavras, mas em actos - no aniquilamento de mim mesma, na configuração conVosco na cruz, ó meu Bom Jesus e meu Mestre!"
(D.485)

UM AMOR SEM IGUAL

         
         Ó <meu> Deus, como desejo que as almas Vos conheçam e <saibam> que as criastes para um <tal> Amor sem igual! Ó meu Criador e Senhor, sinto que hei-de conseguir entreabrir o celeste véu, para que a Terra não duvide da Vossa Bondade.
          Jesus, fazei de mim uma vítima agradável e pura diante da Face de Vosso Pai. Jesus, transformai-me, a mim que sou miserável <e> pecadora, em Vós, pois tudo podeis, e oferecei-me a Vosso Eterno Pai. Quero tornar-me, perante Vós, uma hóstia de expiação, mas que aos homens pareça como mero pão não consagrado; e desejo que o odor do meu sacrifício apenas de Vós seja conhecido. Ó Deus Eterno, ateia-se em mim um desejo, um inextinguível fogo, de Vos suplicar a Misericórdia; sinto-o ardorosamente e  compreendo ser essa a minha missão aqui e pela eternidade. Fostes Vós mesmo quem mandastes que proclamasse esta Vossa imensa Misericórdia e Bondade."
(D.483)

UNIR-SE INTIMAMENTE A JESUS

 
       
               "Ó meu Deus, estou <bem> consciente da minha missão na S[anta] Igreja. O meu constante empenho é de suplicar Misericórdia para o mundo. Uno-me intimamente a Jesus e transformo-me numa vítima de oblação pelo mundo. Deus nada me há-de recusar, se o rogar pela voz de Seu Filho. O meu sacrifício não é nada por si só, mas, quando o uno ao de Jesus Cristo, torna-se omnipotente e tem a capacidade de aplacar a Ira Divina. Deus ama-nos em seu Filho; e a dolorosa Paixão do Filho vai continuamente mitigando a Cólera de Deus."
(D.482)

O VOSSO DIVINO SANGUE CIRCULA NO MEU CORAÇÃO

"Ó meu Jesus, sabeis - só Vós bem o sabeis - que o meu coração não conhece outro amor além de Vós! Ó Jesus, todo o meu virginal amor mergulhou pelos séculos em Vós! Sinto muito nitidamente como o Vosso divino Sangue circula no meu coração e não tenho a menor dúvida de que, com o Preciosíssimo Sangue, entrou no meu coração o Vosso mais puro Amor. Sei que habitais em mim, com o Pai e o Espírito Santo - ou, antes, tenho consciência de ser eu a  viver em Vós, ó Deus Incompreensível. Vejo que me perco em Vós como uma gota no oceano. E estou de Vós consciente em mim e à minha volta, presente em todas as coisas que me cercam, em tudo o que me acontece. Ó meu Deus, que Vos cheguei a conhecer a partir do mais íntimo do meu coração, e que vim amar acima de tudo o que há na Terra ou no Céu: Como os nossos corações se compreendem tão bem um ou outro, - ainda que ninguém o saiba."
(D.478)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

SENTIR CHEGAR A AGONIA FINAL

       
 Jesus, só Vós sabeis como geme nesses tormentos a alma imersa em trevas, e mesmo assim continua faminta e sedenta de Deus, como lábios ressequidos <ansiosos> por água. Mas entretanto, estiola e definha, numa mortal agonia sem fim - morre de não morrer. Todos os seus esforços nada valem, pois está sob mão poderosa.
          Agora a alma encontra-se já no poder do Justo. Cessam todas as tentações exteriores, cala-se tudo o que a circunda, da mesma forma que para o agonizante se desvanece tudo o que o cerca. A sua inteira alma está recolhida sob o poder do Justo, Deus- Três Vezes Santo - como se rejeitada pelos séculos! Esse é o momento culminante e só Deus a pode provar deste modo, pois só Ele sabe o que ela consegue suportar.
          Quando uma alma fica assim, de uma ponta à outra, <completamente> impregnada deste fogo infernal , é como que quase precipitada num grande desespero. A minha passou por esse momento, enquanto me encontrava sozinha na cela, E foi nessa altura, em que a minha alma se começou a abismar no desespero, que senti chegar a agonia final; apesar disso , agarrei-me ao meu pequeno crucifixo e apertei-o na minha mão com muita força . Era como se o meu corpo se separasse da alma e, embora quisesse ir ter com as Superioras, fisicamente já não tinha alento. Pronunciei, então, as minhas últimas palavras: "Confio na Vossa Misericórdia!", e pareceu-me haver levado Deus a uma cólera ainda maior. Mergulhei no desespero, e, de resto apenas um gemido de dor de vez em quando se escapava da minha alma, um lamento inconsolável. Estava a agonizar. E parecia-me que iria permanecer nesse estado, porque pelas minhas próprias forças não seria capaz de o deixar. Cada simples lembrança de Deus me engolfava num mar de indescritíveis sofrimentos. E, no entanto, há algo que na <minha> alma dá a impressão de que a arrebata para Deus, embora apenas para ainda sofrer mais. A própria recordação do precedente amor, com que antes Deus a cercava, era também um novo género de tormento. É que a mirada de Deus penetra-a de uma ponta a outra e, no interior, tudo é queimado por esse Seu olhar.
           Após um longo momento, <por fim> uma das Irmãs entrou na cela e encontrou-me quase morta. Assustou-se e foi chamar a Mestra, que, em nome da Santa obediência, me mandou levantar do chão. Imediatamente recobrei o meu vigor e ergui-me, ainda que toda a tremer. A Mestra percebeu logo o estado da minha alma. Falou-me da insondável Misericórdia de Deus, dizendo-me: "Irmã, não se perturbe seja com o que for; e ordeno-lhe isto pela virtude da obediência." E acrescentou: "Agora reconheço que Deus está a destiná-la para um alto grau de santidade. O Senhor quer trazer a Irmã para muito junto de Si, já que lhe permite que tais provas lhe cheguem tão cedo. E seja a Irmã, muito fiel a Deus, pois isto é sinal de que Ele lhe deseja reservar um elevado lugar no Céu." Porém eu não compreendia nada das palavras que ela dizia.
            Só quando entrei na Capela, é que senti como se a minha alma estivesse completamente liberta, tal acabasse de sair da mão de Deus. Intuí, então, a pureza inviolável da minha alma, e senti-me como uma criancinha.
            De súbito, tive a íntima visão do Senhor.
(D.101)

A PROVA DAS PROVAS - ABANDONO ABSOLUTO - DESESPERO

     
  Quando a alma sai vitoriosa das provações anteriores, ainda que possa tropeçar, luta corajosamente e, com profunda humildade, clama ao Senhor: "Salvai-me, que estou a morrer!". Mas continua a ser capaz de combater.
          Todavia é nessa altura que a alma é envolvida por uma terrível noite escura, não reconhecendo em si senão pecados. O que experimenta é atroz. Vê-se totalmente rejeitada por Deus, sente-se como se fosse o objecto do Seu desprezo e a um passo do desespero. Defende-se como pode, procurando despertar a confiança, mas a oração é para ela um tormento ainda maior, parecendo-lhe estar a provocar em Deus uma mais intensa ira. A alma encontra-se <como que> colocada num cume altíssimo, mesmo na borda dum precipício, <suspensa por sobre o abismo>.
          Tenta agarrar-se fervorosamente a Deus mas sente-se repelida. Nada são todos os tormentos e suplícios do mundo em comparação com esse sentimento em que a alma está completamente submersa - isto é, o da rejeição por Deus. Ninguém pode trazer-lhe alívio: vê que está sozinha, não tem  ninguém que a defenda. Eleva ainda os olhos ao Céu, mas está convencida de que ele não é para si - para ela, tudo está perdido. Vai tombando de treva em treva, cada vez mais profundamente, parece-lhe até que perdeu a Deus para sempre - esse Deus a quem tanto amava. Um tal pensamento causa-lhe um sofrimento indescritível. Mas ela não se conforma com isto, tenta soerguer o olhar ao Céu, porém em vão: o que lhe provoca um tormento ainda maior.
           Ninguém consegue iluminar uma alma assim, se Deus a quiser manter em trevas. É que ela experimenta mesmo esta rejeição por Deus duma maneira vivida e terrível. Do seu coração escapam-se gemidos de dor tão pungentes, que nenhum padre <confessor> os podem compreender, a não ser que ele próprio tenha passado por isso. E nesse estado, a alma tem ainda de suportar sofrimentos que vêm do espírito do mal. Satã escarnece dela; "Repara bem <ao que chegaste, e mesmo assim>, vais continuar fiel?Vê a tua paga: já estás em nosso poder." (todavia, apesar de Satã dispor de poder sobre essa alma, tem apenas tanta influência quanto lho permitir Deus, Ele que sabe bem o que podemos suportar). "O que aproveitou teres-te mortificado? O que adiantou seres fiel à Regra? Para quê todos esses esforços? Deus rejeitou-te!". Esta palavra "rejeitou" transforma-se em fogo que penetra em cada nervo, até à medula dos ossos; trespassa inteiramente o ser. Atinge-se então o clímax da prova. A alma já não procura ajuda em parte alguma, embebe-se em si mesma, nada conseguindo ver diante dos olhos e como que se conformando na aceitação do suplício de ser rejeitada. É um momento para que não consigo encontrar palavras.
<Pura> agonia da alma.
             Quando pela primeira vez esse instante me sobreveio só consegui dele ser arrancada pela virtude da santa obediência. E foi então que a Mestra, assustada com o meu aspecto, até me mandou ao confessor ...
(D.98)

PROVAÇÕES DIVINAS


          O amor da alma <para com Deus> não é ainda tal como Deus exige.
  Repentinamente a alma perde a percepção da Presença de Deus. Surgem nela diversos erros e defeitos contra os quais deve travar uma luta renhida. Todas as suas faltas se avivam, apesar da sua vigilância ser grande. A antiga Presença de Deus é substituída pela tibieza e aridez espiritual; a alma já não sente gosto nos exercícios espirituais, não consegue rezar como antes, nem sequer como orava ultimamente. Volta-se para todos os lados sem encontrar satisfação. Deus escondeu-se-lhe e ela não encontra conforto nas criaturas, nem nenhuma delas a consegue consolar. A alma deseja ardentemente a Deus mas vê a sua miséria e começa a sentir a justiça divina. Parece-lhe ter perdido todos os dons de Deus, a sua mente encontra-se como que obscurecida, as trevas invadem-na num tormento indizível. A alma procura explicar o seu próprio estado ao confessor porém sem ser compreendida. Então, assaltam-na inquietações ainda maiores. Satã inicia a sua trama.
            A fé fica exposta ao fogo, a luta é feroz, a alma faz esforço e tenta por um acto de vontade permanecer em Deus. Mas, com permissão de Deus, (o próprio) Satã avança ainda mais: mesmo a esperança e o amor são provados. São terríveis essas tentações. Dir-se-ia que Deus apenas sustém a alma em segredo, - não tendo ela disso consciência-, pois, de outra forma, não conseguiria resistir. E Deus sabe bem o que pode permitir para a provar. Se a alma (tem) a tentação de descrença nas verdades reveladas e <também> de falta de sinceridade diante do confessor, logo Satã lhe diz:"Olha, ninguém te compreenderá, para quê falar de tudo isso?" Ressoam-lhe aos ouvidos palavras que a aterrorizam, parecendo-lhe que as pronuncia contra Deus. Vê o que gostaria de não ver; ouve o que não quereria ouvir. E é terrível, em momento como estes, não ter um confessor experiente. É sozinha que a alma carrega todo o peso, entretanto, na medida das suas forças, essa alma deveria procurar um lúcido confessor, não vá cair sob esse fardo, e, como costuma acontecer, mesmo à beira do precipício!
           Todas essas provações são pesadas e difíceis. Porém, Deus não permite que atinjam uma alma que não haja sido previamente admitida a uma mais profunda convivência com Ele e que não tenha experimentado as doçuras do Senhor. Além disso, Deus, lá tem os Seus desígnios, para nós insondáveis. Muitas vezes é assim que Deus prepara a alma para futuros projectos e grandes obras. E quer experimentá-la, como se examina o ouro puro, mas mesmo assim, não constitui o fim da prova. Existe ainda a provação das provações - ou seja, o completo abandono por parte de Deus.
(D.97)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O SELO DA OBEDIÊNCIA


"Receberás uma maior recompensa pela tua obediência e submissão ao confessor, do que pelas práticas em que te exercitares. Fica a saber isto, Minha filha, e procede de acordo com o que te digo: qualquer coisa, ainda que a mais insignificante, se tiver o selo da obediência ao Meu representante, é-me agradável e grandioso a Meus olhos"
(D.933)

REVELAÇÕES

       
   "No início, Deus dá-se a conhecer como Santidade, Justiça, Bondade, ou seja, Misericórdia. A alma não se apercebe de tudo isto de uma só vez, mas por graduais iluminações, ou pelas visitações em que Deus se torna próximo. O que não dura muito, pois ela não suportaria tanta luz. Durante a oração, a alma começa a experimentar vislumbres desta iluminação, que a impossibilita de rezar como outrora. Pode esforçar-se como quiser e obrigar-se a orar como previamente; tudo será em vão. Torna-se-lhe de todo impossível continuar a rezar como antes de receber aquela luz. É que essa lucidez que tocou a alma permanece nela viva e nada a consegue sufocar, nem sequer obscurecer. Essa iluminação que conduz ao conhecimento de Deus atrai a alma e inflama-a de amor por Ele.
           Mas ao mesmo tempo, este preciso fulgor permite que a alma se veja interiormente, dando-lhe uma luz superior na evidência do que ela é; e<cônscia de si>, ressurge espantada e atemorizada. Contudo , não permanece nesse estado de temor. Começa a purificar-se, a praticar a humildade, e a abjecção de si mesma diante do senhor e essas iluminações tornam-se muito fortes e frequentes. Quanto mais a alma se torna cristalizada, tanto mais essas luzes a penetram. Se a alma respondeu fiel e corajosamente às primeiras graças, Deus cumula-a de consolações comunicando-se de maneira perceptível. A alma entra então, por momentos, em intimidade com Deus e sente-se em imensa beatitude, acreditando que já atingiu o grau de perfeição que lhe fora destinado, porque os erros e os defeitos estão nela adormecidos, por isso julgando já não os possuir. Nada   lhe parece difícil, sente-se pronta para tudo. Começa a mergulhar em Deus e a experimentar as delícias  divinas. É elevada pela graça e nem se dá conta de que pode vir o tempo da provação e de ser experimentada. E realmente esse estado não dura  muito: Virão outros momentos; mas devo aqui lembrar que a alma responde mais fielmente à graça divina, se dispuser de um confessor experiente a quem tudo possa confidenciar."
(D.95)

GRAUS DA OBEDIÊNCIA


           Execução pronta e plena. - Obediência da vontade, quando esta leva a mente a submeter-se ao juízo do Superior. Santo Inácio apresentou, além disso, três meios que facilitam a obediência: No Superior, quem quer que ele seja, ver sempre a Deus; justificar, perante si mesmo, a ordem, ou a opinião do Superior; e, aceitar toda a ordem como se fosse de Deus, sem a discutir ou analisar. Mas o meio mais geral <é> a humildade.

              Para o humilde não há impossíveis.
                                                      (D.93)

DA VIRTUDE DE OBEDIÊNCIA


       A virtude de obediência eleva-se acima do voto; envolve as Regras, os Regulamentos e até mesmo os conselhos dos Superiores.
            A virtude da obediência é tão necessária ao religioso que, mesmo praticando o bem, se o fizer contrariamente à obediência, (os seus actos) tornar-se-ão maus ou sem mérito.
            Peca-se com gravidade, quando se despreza a autoridade, ou a ordem do Superior, e sempre que da desobediência decorra prejuízo espiritual ou temporal para a Congregação.
            São faltas que ameaçam este voto: preconceitos e antipatias para com o Superior, murmurações e críticas; lentidão e negligência.
(D.93)

DO VOTO DA OBEDIÊNCIA

     
            O voto da obediência é superior aos dois primeiros, pois por si mesmo constitui um verdadeiro holocausto e é o mais necessário, porque forma e anima toda a vida religiosa.
        O religioso, através do voto de obediência, promete a Deus que obedecerá aos legítimos Superiores em tudo o que lhe ordenarem, de acordo com as Regras. O voto de obediência torna o religioso dependente do Superior, na sua vida inteira e em todas as questões. O religioso comete pecado grave contra o voto, todas as vezes que desobedecer a uma ordem dada em virtude da prescrição ou das Regras.
(D.93)

TRATADO DA CASTIDADE (I)

§ I. EXCELÊNCIA DA CASTIDADE
- Ninguém melhor que o Espírito Santo saberá apreciar o valor da castidade. Ora, Ele diz: "Tudo o que se estima não pode ser comparado com uma alma continente" (Ecli 26, 20), isto é, todas as riquezas da terra, todas as honras, todas as dignidades, não lhe são comparáveis. Santo Efrém chama a castidade de "a vida do espírito"; São Pedro Damião, "a rainha das virtudes"; e São Cipriano diz que, por meio dela, se alcançam os triunfos mais esplêndidos. Quem supera o vício contrário à castidade, facilmente triunfará de todos os mais; quem, pelo contrário, se deixa dominar pela impureza, facilmente cairá em muitos outro vícios e far-se-á réu de ódio, injustiça, sacrilégio, etc.
A castidade faz do homem um anjo. "Ó castidade, exclama Santo Efrém (De cast.), tu fazes o homem semelhante aos anjos". Essa comparação é muito acertada, pois os anjos vivem isentos de todos os deleites carnais; eles são puros por natureza; as almas castas, por virtude. "Pelo mérito desta virtude, diz Cassiano (De Coen. Int., 1. 6, c. 6), assemelham-se os homens aos anjos"; e São Bernardo (De mor. et off., ep., c. 3): "O homem casto difere do anjo não em razão da virtude, mas da bem-aventurança; se a castidade do anjo é mais ditosa, a do homem é mais intrépida". "A castidade torna o homem semelhante ao próprio Deus, que é um puro espírito", afirma São Basílio (De ver. virg.).
O Verbo Eterno, vindo a este mundo, escolheu para Sua Mãe uma Virgem, para pai adotivo um virgem, para precursor um virgem, e a São João Evangelista amou com predileção porque era virgem, e, por isso, confiou-lhe Sua santa Mãe, da mesma forma como entrega ao sacerdote, por causa de sua castidade, a santa Igreja e Sua própria Pessoa.
Com toda a razão, pois, exclama o grande doutor da Igreja, Santo Atanásio (De virg.):'Ó santa pureza, és o templo do Espírito Santo, a vida dos Anjos e a coroa dos Santos!".
Grande, portanto, é a excelência da castidade; mas também terrível é a guerra que a carne nos declara para no-la roubar. Nossa carne é a arma mais poderosa que possui o demônio para nos escravizar; é, por isso, coisa muito rara sair-se ileso ou mesmo vencedor deste combate. Santo Agostinho diz (Serm. 293): "O combate pela castidade é o mais renhido de todos: ele repete-se quotidianamente, e a vitória é rara". "Quantos infelizes que passaram anos na solidão, exclama São Lourenço Justiniano, em orações, jejuns e mortificações, não se deixaram levar, finalmente, pela concupiscência da carne, abandonaram a vida devota da solidão e perderam, com a castidade, o próprio Deus!"
Por isso, todos os que desejam conservar a virtude da castidade devem ter suma cautela: "É impossível que te conserves casto, diz São Carlos Borromeu, se não vigiares continuamente sobre ti mesmo, pois negligência traz consigo mui facilmente a perda da castidade.."
SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - Tratado da Castidade

terça-feira, 16 de abril de 2013

DO VOTO DA CASTIDADE

       
Este voto obriga à renúncia ao casamento e a evitar tudo o que seja proibido pelo sexto e nono Mandamentos. Toda a falta contra a virtude é, ao mesmo tempo, violação do voto, porque aqui não há diferença  entre voto e virtude, como <ao contrário> na pobreza ou na obediência. Nem todo o mau pensamento é pecado, mas torna-se <tal>, se houver aquiescência da vontade e o consentimento na consideração mental. Além dos pecados contrários à pureza, tanto a dissipação dos sentidos e da imaginação, <como> a liberdade das emoções, a familiaridade e amizades <particulares> demasiados moles, vem em detrimento desta virtude. Subjugar as tentações interiores com o pensamento da Presença de Deus, sobretudo num denotado combate sem temor. E, quanto ás tentações exteriores, evitar as ocasiões. No geral , existem sete procedimentos principais: - Viajar os sentidos, <e depois> evitar as ocasiões; - rejeitar a ociosidade; - afastar rapidamente as tentações; - abandonar todas as formas de amizades particulares; - <praticar> o espírito de mortificação; - e revelar todas estas tentações ao confessor.
Além disso, existem ainda cinco meios de preservar esta virtude: - a humildade; - o espírito de oração; - a modéstia no olhar; - a fidelidade à Regra; - a sincera devoção  à Santíssima Virgem Maria.
        (D.93)

PENITÊNCIAS E MORTIFICAÇÕES

 
         As mortificações interiores hão-de, ter primazia; mas, além destas, praticaremos as mortificações exteriores, rigorosamente definidas de modo que todas as possam fazer. A saber:
três dias por semana observar um jejum rigoroso, esses dias são: quarta, sexta-feira e sábado. Todas as sextas-feiras - a disciplina,  durante a recitação do Salmo 50 <o "Misere">; todas ao mesmo tempo, nas suas próprias celas, às três horas  e por intenção dos pecadores agonizantes. Na altura dos dois grandes jejuns, como nos dias de Rogação e nas vigílias <de Festa>, a refeição consistirá apenas em: um pedaço de pão e um pouco de água, só uma vez ao dia. Cada uma procurará cumprir as mortificações que são prescritas para todas, mas se alguma Irmã desejar mais alguma além dessas, terá de pedir autorização à Superiora. Outra mortificação comum: nenhuma Irmã poderá entrar na cela de outra sem especial licença da Superiora, mas a Superiora fica obrigada a entrar por vezes nas celas das Irmãs, até sem ser vista, não como uma forma de espiar, outrossim no espírito de amor e da responsabilidade que tem perante Deus. nenhuma fechará nada a chave: a Regra será a chave-mestra para todas.
                    (D.565)

DA VIRTUDE DE POBREZA

        A virtude da pobreza é uma virtude evangélica que impele o coração a desprender-se dos liames <afectivos> das coisas temporais e a que o religioso, por causa da profissão, está estritamente obrigado.
        Peca-se contra a virtude da pobreza quando se desejam coisa contrárias a essa virtude, ou há  apego a algo e se usa de coisas supérfluas.
       São quatro os graus da pobreza na profissão <religiosa>: Não dispor de nada sem dependência dos Superiores (matéria estrita do voto). Evitar o supérfluo, contentar-se com o essencial (constitui virtude). De boa vontade dar preferência às coisas piores, e isto com interior satisfação - tais como cela, vestuário, alimentação, etc. E alegrar-se com a indigência.
(D.93)

ESCOLHA DE DEUS

     
"Deus escolhe em princípio as almas mais fracas e simples, como instrumentos para realizar justamente as Suas maiores graças, pois reparemos a quem escolheu para seus Apóstolos, ou olhemos ainda para a História da Igreja. - Que grandes obras realizaram as almas que eram as menos aptas para tal, e é precisamente nisto que as obras de Deus se manifestam como tais." 
          (D.464)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O QUE FORTALECE A ALMA


Paciência, oração e silêncio - eis o que fortalece a alma. Há ocasiões em que a alma se deve calar e lhe é prejudicial conversar com as criaturas; há momentos em que está  insatisfeita consigo mesma e se sente fraca como uma criancinha. É então, que a alma se agarra a Deus com todas as suas forças. Nessas alturas vivo exclusivamente da fé e, ao sentir-me fortalecida pela graça de Deus, sou até mais corajosa no diálogo e na convivência com o próximo.
(D.944)

DO VOTO DA POBREZA

   
O voto da pobreza é a voluntária renúncia ao direito à propriedade, ou ao seu uso, com a finalidade de agradar a Deus.
      Com o voto de pobreza todos os bens e objectos ficam a pertencer à Congregação. Não se tem direito ao que foi entregue, coisa ou dinheiro, desde que tenha sido aceite. Todos os donativos ou presentes que, alguma vez, se receberam a título de gratidão, ou outro, pertencem por direito à Congregação. Quaisquer ganhos pelo trabalho, ou mesmo alguma receita, não podem ser utilizados sem pôr em causa o voto.
      Quando se transgride, ou viola o voto respeitante ao sétimo mandamento, quando, sem licença alguma se apodera, para si ou para outrem, duma coisa pertencente à casa; quando se retém algo sem permissão, com o objectivo de se apropriar disso; sempre que, sem autorização, se vende ou troca alguma coisa pertencente à Congregação; no caso de se utilizar algo para outro fim, que não seja o estipulado pelos Superiores, ou quando se dá a alguém, ou se aceita sem licença. Ainda : quando, por negligência, se destrói ou estraga alguma coisa e sempre que, transferindo-se de uma para outra casa, se leva algo sem consentimento. Nos casos de transgressão do voto de pobreza, o religioso é igualmente obrigado a restituir à Congregação.
(D.93)

domingo, 14 de abril de 2013

RESUMO SOBRE OS VOTOS RELIGIOSOS

         O voto é uma  promessa voluntária, feita a Deus, com a fim de realizar actos cada vez mais perfeitos.
         O voto obriga a cumprir o que é ordenado pelos mandamentos, em que o compromisso da acção em coisas ordenadas pelos mandamentos é de dúplice valor e mérito, enquanto a sua negligência é uma dupla transgressão e maldade, porque, quando se quebra o voto, acrescenta-se, então, ao pecado contra o mandamento, o pecado do sacrilégio.
         Os votos religiosos tem um valor elevado porque constituem o fundamento da vida religiosa; aprovada pela Igreja, na qual os membros, unidos numa comunidade religiosa, se comprometem a pugnar incessantemente pela perfeição, por meio dos três votos religiosos: de pobreza, de castidade, e de obediência, observados de acordo com as Regras.
        Pugnar pela perfeição significa que o estado religioso, por si só, não implica perfeição já adquirida, mas obriga, sob pena de pecado, ao trabalho diário para o conseguir. Portanto, o religioso que não queira aperfeiçoar-se, negligencia a principal obrigação do seu próprio estado.
        Os votos religiosos solenes são os votos tão estritos que, em casos extraordinários, só o próprio Santo Padre pode dispensá-los.
        Os votos menos rigorosos, os perpétuos e anuais que são dispensados pela Santa Sé.
       A diferença entre voto e uma virtude é que o voto abrange apenas o que é ordenado sob a pena de pecado, ao passo que a virtude se eleva mais alto e facilita o cumprimentos do voto. Ao contrário, transgredindo o voto, comete-se falta contra a virtude e fera-se a mesma.
        Os votos religiosos impõem a buscar as virtudes e a total submissão aos superiores e às Regras, em virtude das quais o religioso entrega a sua pessoa à Ordem, renunciando a todos os direitos sobre si próprio e quanto às suas actividades, que dedica ao serviço divino.
(D.93)

sábado, 13 de abril de 2013

VONTADE DIVINA

     "Existem três graus no cumprimento da vontade divina: o primeiro corresponde àquele em que a alma cumpre tudo o que está exteriormente determinado pelas ordens e mandamentos; o segundo, sempre que a alma segue as inspirações interiores a as cumpre; o terceiro, quando ela, abandonada à   
Vontade divina, deixa a Deus a liberdade de dispor de si e Ele faz dela o que Lhe apraz, sendo assim um obediente instrumento em Suas mãos."
     (D.444)   

Ó VERDADE ETERNA

     

     "Ó meu Jesus, sabeis a quantas coisas tive que me expor por dizer a verdade. Ó Verdade, tantas vezes oprimida e que trazeis quase sempre,uma coroa de espinhos! Ó Verdade Eterna, sustentai-me para que eu tenha a coragem de falar  verdade, ainda que venha a pagar isso com a vida. Ó Jesus, como é difícil acreditar nisto, quando se ouvem outros ensinamentos e se reconhece que se prega uma coisa e se vive outra."
        (D.1482)

Maria é a imagem viva de Deus (Forma Dei)


Maria é chamada por Santo Agostinho, e é, efectivamente, a Forma Dei, imagem viva de Deus; isto quer significar que somente n´Ela Deus se fez homem, formado homem perfeito, sem faltar-Lhe qualquer traço da Divindade; e também que só n´Ela pode o homem ser transformado em Deus 
– tanto quanto a natureza humana o permita –, pela graça de Jesus Cristo. 

Um escultor pode reproduzir ao natural uma estátua ou um retrato de duas maneiras: aplicando todo o seu talento na matéria dura e informe, usando de toda a força, de toda a ciência e perfeição das suas ferramentas, para reproduzir a estátua ou então, metendo-a simplesmente em um molde.
 

O primeiro método é demorado, é difícil e está sujeito a diversos inconvenientes: por vezes basta uma pancada de cinzel ou uma martelada mal dada para estragar toda a obra.
 

O segundo, ao contrário, é rápido, suave e delicado, quase sem esforço e sem fadiga, desde que o molde seja perfeito (...), e desde que a matéria utilizada seja maleável e não oponha resistência ao seu manejo.
 

É Maria o maravilhoso molde de Deus, criado pelo Espírito Santo para formar em perfeição um Homem-Deus através da união hipostática (união das duas naturezas), e para tornar o homem, participante da natureza divina mediante a graça. Maria é esse molde a que não falta o mais leve traço da divindade: quem for introduzido nele se deixar plasmar por ele, adquire todos os traços de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, e isso de forma suave e em consonância com a fragilidade humana, sem tantos sacrifícios nem fadigas; e ainda de forma segura, sem medo de ilusões, já que o demónio não teve e nunca terá qualquer acesso a Maria, santa e imaculada, sem a mais leve sombra de pecado. 

Oh! Alma querida, como é grande a diferença entre uma alma formada em Jesus Cristo, pelos caminhos mais comuns, como o dos escultores – que confiam no seu engenho, no seu talento –, e uma alma bem maleável, desapegada, bem fundida e que, recusando fiar-se em si mesma, se lança em Maria e n´Ela se deixa plasmar apenas pela ação do Espírito Santo! Quantas manchas, quantos defeitos, quantas trevas, quantas ilusões, quanto de natural, quanto de humano há na primeira alma; e como a segunda é pura, divina e semelhante a Jesus Cristo!

São Luís Marie Grignion de Montfort, 
O Segredo de Maria, § 16-18 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

COROADO DE ESPINHOS


    " Hoje, durante <o ofício de> a Paixão, vi Jesus a ser martirizado, coroado de espinhos, segurando na mão um pedaço de cana. O Senhor estava silencioso, mas os soldados entre si disputavam a vez de O torturar. Jesus nada dizia, apenas olhou para mim. Nesse olhar senti a Sua horrível dor, tão terrível que nem fazemos a menor ideia do que Jesus sofreu por nós, antes de ser crucificado. A minha alma carrega-se de dor e nostalgia. Do meu mais íntimo, senti um grande ódio ao pecado - e, por mínima que fosse qualquer minha infidelidade, logo me parecia uma elevada montanha, pelo que O deveria desagravar pela mortificação e penitência. Quando vejo Jesus martirizado, quebra-se-me o coração e interrogo-me: o que será dos pecadores se não souberem tirar proveito da Paixão de Jesus? Na sua Paixão vejo todo um infinito mar de Misericórdia.
     (D.948)

ÀS TRÊS HORAS

      
           "- Lembro-te, Minha filha: todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas, mergulha-te na Minha Misericórdia, adorando-A e louvando-A. Implora a omnipotência dela para todo o Mundo e, de modo particular, para os pobres pecadores, porque nesse momento foi <a Misericórdia> aberta plenamente para toda a alma. Nessa hora, podes requerer tudo o que peças por ti e para os outros. Nessa hora, realizou-se a Graça para todo o Mundo - a Misericórdia venceu a Justiça.
          Minha filha, procura, nesta hora,  fazer a Via Sacra, quando os teus deveres o permitirem; e, se não poderes fazer a Via Sacra, ao menos, entra por um momento na capela e venera o Meu Coração, pleno de Misericórdia, no Santíssimo Sacramento. Se não poderes sequer visitar a capela, mergulha-te na oração onde te encontres, mesmo por pouco tempo. Exijo para a Minha Misericórdia a veneração de todas as criaturas, mas primeiro de ti, pois dei-te a conhecer mais profundamente este mistério."
          (D.1572)

PRESENÇA DE DEUS


"Hoje, a minha preparação para a vinda de Jesus é breve, todavia repleta de intenso amor. Penetra-me a Presença de Deus e inflama-me de amor por Ele. Não há nem uma palavra, apenas a íntima compreensão, e toda em Deus mergulho pelo amor. Eis que o Senhor se aproxima da morada do meu coração. Mas, mesmo após ter recebido a Comunhão, mantenho a consciência bastante para voltar ao meu genuflexório. É nesse mesmo instante que a minha alma se abisma por inteiro em Deus, e já nem sei o que se passa à <minha> volta: Ele dá-me um interior conhecimento da sua Essência divina. Embora breves, esses momentos são porém muito penetrantes. E é com a alma em profundo recolhimento, não sendo fácil distraí-la, que saio da capela, mal tocando a terra com a porta dos pés. Então, nenhum sacrifício durante o dia se torna difícel nem pesado e qualquer circunstância provoca sempre novo acto de amor."
(D.1807)

PREPARAÇÃO PARA A SAGRADA COMUNHÃO


Ministro Sagrada Comunhão      "Repara, abandonei o trono do Céu para Me unir a ti. Se o que estás a ver é apenas uma pequena parcela e a tua alma já desfalece de amor, então em que assombro ficará o teu coração, quando Me contemplares em toda a Glória? Porém quero dizer-te que essa vida eterna deve iniciar-se já aqui na Terra pela Sagrada Comunhão. Cada Sagrada Comunhão torna-te mais capaz de conviver com Deus, por toda a eternidade.      (D.1810)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cântico de Daniel

Com cântico de júbilo cantai ao Senhor, nosso Deus. Toda a criatura Lhe dê glória e louvor.
Bendito seja Deus por todas as Suas obras.
Bendito seja Deus pelos anjos do céu.
Bendito seja Deus pelas nuvens do espaço.
Bendito seja Deus pelo sol e pelas estrelas.
Bendito seja Deus pela chuva e pelos ventos.
Bendito seja Deus pelo frio e pelo calor.
Bendito seja Deus pela noite e pelo dia.
Bendito seja Deus pela terra onde vivemos.
Bendito seja Deus pelos montes e pelos vales.
Bendito seja Deus pelas águas das fontes, dos rios e dos mares.
Bendito seja Deus pela imensidão do oceano.
Bendito seja Deus pelos peixes do mar e pelas aves do céu.
Bendito seja Deus pelos animais do campo.
Bendito seja Deus por todos nós os Seus filhos.
Bendito seja Deus pelo Seu povo a Santa Igreja.
Bendito seja Deus, pelos sacerdotes do Seu templo.
Bendito seja Deus Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo.
Com cânticos de júbilo cantai ao Senhor nosso Deus. Toda a criatura Lhe dê glória e louvor.
(Dan 3, 57-88)

Cântico de Daniel: Todas as criaturas louvem ao Senhor

Queridos irmãos e irmãs,

O cântico que acabou de ser proclamado é constituído pela primeira parte de um longo e bonito hino que se encontra inserido na tradução grega do livro de Daniel. Cantam-no três jovens hebreus lançados numa fornalha por terem recusado adorar a estátua do rei de Babilónia, Nabucodonosor. Outra parte do mesmo cântico é proposto pela Liturgia das Horas para as Laudes do domingo, na primeira e na terceira semana do Saltério litúrgico.

O livro de Daniel, como se sabe, reflete as esperanças e expectativas apocalípticas do povo eleito, o qual, na época dos Macabeus (II século a. C.) lutava para poder viver de acordo com a Lei dada por Deus.

Na fornalha, os três jovens, milagrosamente preservados das chamas, cantam um hino de louvor dirigido a Deus. Este hino é semelhante a uma ladainha, repetitiva e, ao mesmo tempo, nova:  as suas invocações elevam-se até Deus como espirais de incenso, que percorrem o espaço em formas semelhantes mas nunca iguais. A oração não teme a repetição, como o apaixonado não hesita declarar infinitas vezes à amada todo o seu afecto. Insistir nas mesmas questões é sinal de intensidade e de numerosas formas nos sentimentos, nas pulsações interiores e nos afetos.

Ouvimos proclamar o início deste hino  cósmico,  contido  no  terceiro  capítulo  de  Daniel,  nos  versículos  52-57. É  a  introdução,  que  precede  o  grandioso  desfile  das  criaturas  envolvidas no  louvor.  Um  olhar  panorâmico para todo  o  cântico  no  seu  prolongamento litânico,  faz-nos  descobrir  uma  sucessão de elementos que constituem o enredo de todo o hino. Ele começa com seis invocações dirigidas diretamente a Deus; a elas, segue-se um apelo universal a "todas as obras do Senhor", para que abram os seus lábios imaginários ao louvor (cf. v. 57).

É esta a parte sobre a qual hoje refletimos e que a liturgia propõe para as Laudes do domingo da segunda semana. Logo a seguir, o cântico prolonga-se convocando todas as criaturas do céu e da terra para louvar e engrandecer o seu Senhor.

O nosso trecho inicial será retomado outra vez pela liturgia, nas Laudes do domingo da quarta semana. Por isso, escolheremos agora apenas alguns elementos para a nossa reflexão. O primeiro é o convite ao louvor:  "Bendito, sois, Senhor...", que, no final, se transforma em "Bendizei...!".

Existem na Bíblia duas formas de bênção, que se entrelaçam entre si. Por um lado, encontra-se a que vem de Deus:  o Senhor abençoa o seu povo (cf. Nm 6, 24-27). É uma bênção eficaz, fonte  de  fecundidade,  felicidade  e  prosperidade.  Por  outro,  encontra-se  o louvor que da terra se eleva para o céu. O homem, beneficiado pela generosidade  divina,  bendiz  a  Deus,  louvando-o, agradecendo-lhe, exclamando: "Bendiz, ó minha alma, o Senhor!" (Sl 102, 1; 103, 1).

A  bênção  divina  é  muitas  vezes mediada  pelos  sacerdotes  (cf.  Nm  6, 22-23.27; Sir 50, 20-21)  através  da imposição  das  mãos;  ao  contrário, o louvor humano é expresso no hino litúrgico, que a assembleia dos fiéis eleva ao Senhor.

Outro elemento que consideramos no âmbito do trecho agora proposto à nossa meditação é constituído pela antífona. Poderíamos imaginar que o solista, no templo repleto de povo, entoasse o louvor:  "Bendito sois vós, Senhor...", enumerando as várias maravilhas divinas, enquanto a assembleia dos fiéis repetia constantemente a fórmula:  "Sois digno de louvor e de glória pelos séculos dos séculos". Era o que já acontecia com o Salmo 135, o chamado "Grande Hallel", ou seja, o grande louvor, onde o povo repetia:  "É eterna a vossa misericórdia", enquanto um solista enumerava os vários atos de salvação realizados pelo Senhor em favor do seu povo.

Objeto de louvor, no nosso Salmo, é em primeiro lugar o nome "glorioso e santo" de Deus, cuja proclamação ressoa no templo, também ele "santo glorioso". Os sacerdotes e o povo, enquanto contemplam, na fé, Deus que está sentado "no trono do Seu reino", sentem o Seu olhar sobre si, que"penetra os abismos" e esta consciência faz surgir do seu coração o louvor. "Bendito... bendito...". Deus, que "está sentado em cima dos querubins" e tem como habitação o "firmamento do céu", contudo está próximo do seu povo, que por isso se sente protegido e seguro.

A proposta deste cântico repetida na manhã de domingo, a Páscoa semanal dos cristãos, é um convite a abrir os olhos diante da nova criação que teve origem precisamente com a ressurreição de Jesus. Gregório de Nissa, um Padre da Igreja grega do quarto século, explica que com a Páscoa do Senhor "são criados um novo céu e uma nova terra... é plasmado um homem diferente renovado à imagem do seu criador através do nascimento do alto" (cf. Jo 3, 3.7). E continua:   "Assim  como  quem  olha para  o  mundo  sensível  deduz  por  meio das  coisas  visíveis  a  beleza  invisível... assim  quem  olha  para  este  novo mundo da criação eclesial vê nele Aquele que se tornou tudo em todos, orientando a mente pela mão, através das coisas compreensíveis da nossa natureza racional, isto é, para quem supera a compreensão humana" (Langerbeck H.,Gregorii Nysseni Opera, VI, 1-22 passim, pág. 385).

Por conseguinte, ao entoar este cântico, o crente cristão é convidado a contemplar o mundo da primeira criação, entrevendo nele o perfil da segunda, inaugurada com a morte e a ressurreição do Senhor Jesus. E esta contemplação conduz a todos pela mão, para entrarem, quase dançando de alegria, na única Igreja de Cristo.

Papa João Paulo II, na audiência de 12 de Dezembro de 2001

Fonte: Tesouro da Igreja Católica 

O CRIADOR E A CRIATURA

       "Hoje fez-se-me luz acerca de quanto Me amais, embora haja um tão grande abismo entre nós - o Criador e a criatura: e, no entanto, de, alguma forma, existe uma certa igualdade; o Amor preenche esse vazio. É Ele mesmo quem desce até mim, tornando-me capaz de a Si me unir. E afoguei-me n'Ele, como que  perdendo-me por completo; contudo, sob o Seu amante olhar, a minha alma ganhou vigor e poder, na consciência de que ama e é particularmente amada,sabendo que o Omnipotente a protege. Uma tal prece, posto que breve, muito aproveita à alma, enquanto horas inteiras de reza comum não lhe obtém essa luz dada por curto momento de subida oração."
        (D.815)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

VIVER E ANUNCIAR A MENSAGEM DA MISERICÓRDIA DIVINA

          " Espero de ti obras de misericórdia, que devem nascer do teu amor por Mim. Importa que ao próximo manifestas misericórdia sempre e em qualquer lugar. Não te podes furtar a isto, tentando arranjar desculpas ou justificares-te.
          " E indico-te três maneiras de exerceres a misericórdia para com o próximo: a primeira pela acção; a segunda pela palavra; e a terceira pela oração. Nestes três graus assenta a plenitude da Misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por Mim". <....>, "Mesmo a fé mais forte nada vale sem as obras"
            (D.742)

CONTEMPLAR DEUS

 
   São Francisco de Sales

"Contemplemos mil vezes por dia a amorável vontade de Deus, e unindo a nossa à d'Ele, exclamamos com devoção: Ó Bondade de infinita doçura, como é terna a vossa vontade! como são apreciáveis os vossos favores! Criastes-nos para a vida eterna, com o peito abrasado de amor por nós, cheio de misericórdia, tanto para perdoar aos pecadores como para aperfeiçoar os justos: por que não havemos de unir a nossa vontade à vossa, com a mesma ânsia com que a criancinha se suspende do seio da mãe, e haurirmos assim o  doce leite das vossas bênçãos!"

                                         Tratado do Amor de Deus - pag.352

SANTA MARIA FACILITA A UNIÃO COM DEUS

 São Luís de Monfort            
 "Que ninguém pense, como alguns iluminados, que Maria, por ser criatura, possa ser obstáculo à união com o Criador; é que já não é Maria que vive, é Jesus Cristo apenas, é Deus só que vive n' Ela. A sua   transformação em Deus ultrapassa infinitamente a de São Paulo e a dos outros Santos, mais que o Céu ultrapassa a terra em altura.
         Maria não existe senão por Deus; por isso, longe de separar por si uma alma, Ela projecta-a em Deus e une-a a Ele com mais perfeição ainda do que a alma está unida a Ela.
         Maria é o eco admirável de Deus, que só sabe repercutir "Deus" quando a alma lhe grita: "Maria", e que não sabe senão glorificar a Deus quando, tal como Santa Isabel, a proclamam bem-aventurada.
         Se os falsos iluminados, miseravelmente enganados pelo demónio até na oração, tivessem sabido encontrar Maria, e Jesus por Maria, e Deus através de Jesus, não teriam certamente dado tão terríveis quedas.
         Quando um cristão encontrou Maria e Jesus através de Maria e Deus Pai através de Jesus, pois terá encontrado todo o bem - referem alguns Santos. E dizendo todo o bem, nada se exceptua: toda a graça e toda a amizade junto de Deus; toda a segurança contra os inimigos de Deus; toda a verdade contra a mentira; toda a facilidade e toda a vitória contra as dificuldades da salvação; toda a doçura e toda a alegria nas amarguras da vida...."
                                      O Segredo de Maria - pag.31