JESUS, EU CONFIO EN VÓS

Somo Servos da Misericórdia Divina.

O que é extraordinário, nos textos e mensagens entre Jesus e a Irmã Faustina, é que em qualquer dos textos citados podemos identificar-nos com a Irmã Faustina, como se estas mensagens estejam diretamente dirigidas a cada um de nós. A alma que tem sede de Deus, e por ter procurado uma intimidade com Ele, mas sem saber como a alcançar, está agora em plena consciência, enquanto anteriormente não distinguia claramente a Sua voz, nem compreendia a Sua mensagem, a partir da leitura das declarações de Jesus e suas interpretações da Irmã Faustina, o véu abriu-se e agora tudo ficou transparente e nítido.

Estas mensagens, que nos foram dirigidas, ao longo de toda a nossa vida, ganharam sentido, ultrapassando a barreira do tempo e agora disponíveis e compreensíveis para todos aqueles que o desejam, em comunhão com os Santos e a Santa Igreja, pela graça da Misericórdia Divina.


Diariamente, colocaremos citações da obra de Santa Faustina, ou de outros autores que também receberam graças muito especiais, que o ajudará, com certeza, na sua meditação diária.

terça-feira, 30 de abril de 2013

INTIMO FOGO DO AMOR DE DEUS

     
   
    Durante a Santa Missa, fiquei tão envolvida pelo íntimo fogo do amor de Deus e do anseio de salvar almas, [que] não sei como expressá-lo. Sinto-me toda incendiada e capaz de vir a lutar contra todo o mal com o dardo da Misericórdia. Acrisolada neste ardente desejo de salvar as almas, percorro o mundo inteiro de lés a lés, aventurando-me até aos seus confins, aos lugares mais selváticos e insólitos, sempre para salvação das almas. E faço-o por meio da oração e da penitência. Desejo que todas as almas glorifiquem a Misericórdia de Deus, para que cada uma sinta em si os efeitos dessa misericórdia do Senhor, mas eu quero louvá-l'A já aqui na Terra e divulgar a sua devoção, tal como Deus mo pede.
(D.745)

LEVADA ÀS PROFUNDAS DO INFERNO...

     
 
  Hoje, conduzida por um Anjo, fui lavada às profundas do Inferno. É um cavernoso lugar de grandes suplícios - e como é abissal a sua vastidão! <Eis> os diferentes tormentos que vi: o primeiro castigo que constitui o Inferno é a perca de Deus; o segundo, o perpétuo remorso de consciência; o terceiro, o de que essa condição nunca mudará; o quarto, é o fogo, que penetra a alma embora sem a destruir - é um sofrimento terrível, um fogo puramente espiritual, aceso pela Ira de Deus; o quinto, é a, contínua treva, um horrível cheiro sufocante - e, mutuamente e reconhecem todo o mal quer dos outros, quer seu; o sexto é a constante companhia de Satã; o sétimo, o tremendo desespero, ódio de Deus, maldições, pragas e blasfémias.
          Estes são os tormentos por que todos os condenados em conjunto passam, mas não se acabam aqui os suplícios. Há outros dirigidos a algumas pessoas em especial: são as penas dos sentidos. Cada alma é  atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem pavorosas prisões  subterrâneas, cavernas e poços de tormento, onde cada tortura difere de outra. Eu teria morrido só de ver essas terríveis expiações, se não fora a omnipotência de Deus haver-me amparado. Que cada pecador saiba que, naquele dos seus sentidos, com que pecou, há-de vir a ser atormentado por toda a eternidade. Escrevo isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se desculpe <dizendo>, que não há Inferno, ou que ninguém lá esteve e não sabe como é.
         Eu, Irmã Faustina, por desígnio de Deus, visitei os abismos do Inferno, para que o possa noticiar às almas e testemunhar que ele existe. Sobre ele, não me é permitido falar agora, mas tenho ordem de Deus para deixar isto por escrito. Os demónios estavam cheios de ódio por mim, todavia pela vontade de Deus eram obrigados a obedecer-me. E o que acabei de descrever dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi. Notei, no entanto, uma coisa: a maior parte das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existia.
        Quando voltei a mim quase que não podia refazer-me do terror daquela visão. Como as almas sofrem horrores ali! Por isso, rezo com mais fervor ainda, pela conversão dos pecadores. Rogo incessantemente a Misericórdia de Deus para eles. Ó meu Jesus, preferia sofrer a maior agonia, até ao fim do mundo, do que Vos ofender com o menor que fosse dos pecados.
(D.741) 

Papa Francisco: "Senhor guarda a Tua Igreja para que não perca a fé, para que não perca a esperança."


Na missa desta manhã o Santo Padre afirmou na sua homilia que uma igreja que se torna mundana será mais débil e não leva ao Evangelho. A Igreja tem que confiar no seu Senhor, Ele é o único que pode vencer a maligno, disse ainda o Papa, que considerou ser fácil rezar para pedir uma graça, mas, bem mais importante, é rezar pelos outros pedindo a Deus que cuide de todos nós. É uma paz que só ele nos pode dar...

"Confiar a Igreja ao Senhor, confiar os idosos, os doentes, as crianças, a juventude... Cuida Senhor da Tua Igreja: É tua! Com esta atitude Ele nos dará, no meio das tribulações, aquela paz que apenas Ele pode dar. Esta paz que o mundo não pode dar, aquela paz que não se compra, aquela paz que é um verdadeiro dom da presença de Jesus na sua Igreja. Confiar a Igreja que está em tribulações: há grandes tribulações e perseguições... existem sim. Mas existem também as pequenas tribulações: as pequenas tribulações da doença ou dos problemas na família... Confiar tudo isto ao Senhor: Guarda a Tua Igreja nas tribulações, para que não perca a fé, para que não perca a esperança."


Fonte:  Rádio Vaticana - 2013-04-30

ENQUANTO ESCUTO A MEDITAÇÃO

     Acontece-me, algumas vezes, enquanto escuto a meditação, que uma determinada palavra me leva a uma íntima união com o Senhor e, depois, <já> nem dou conta do que o sacerdote está a dizer. Sei apenas que, estando junto ao Misericordiosíssimo Coração de Jesus, todo o meu espírito mergulha n'Ele e, num instante, conheço mais do que durante longas horas de reflexão e meditação. São luzes repentinas que tudo me permitem conhecer tal como Deus vê, e isto, tanto nas coisas do mundo interior, como nas do interior.

         (D.733)

A IMENSA MAJESTADE DE DEUS...

       
A imensa majestade de Deus que hoje me penetrou, e continua a invadir, despertou em mim um grande receio, como um respeitoso temor, e não um servil, que é muito diferente daquele dom reverencial. Este temor, animado pela piedade, nasceu hoje no meu coração justamente em virtude do amor e do conhecimento da grandeza de Deus, constituindo grande júbilo para a alma. Ela pode tremer diante da menor ofensa a Deus, mas isso não a perturba, nem ofusca a sua felicidade. Onde o amor é guia, tudo está bem.
         (D.732) 

PEDIR PELOS QUE AMAMOS, MAS ...


         

     Minha filha, não te dês a tanta canseira multiplicando palavras por aqueles de quem gostas em particular, pois também Eu especialmente os amo, e, por ti, cubro-os com as Minhas graças. Agrada-me que me fales deles, mas não é preciso tanta insistências.

          (D. 739)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ALMAS QUE NÃO TEM CORAGEM DE CONFIAR PLENAMENTE EM DEUS



      Agora sei que mesmo almas escolhidas, e até avançadas na vida religiosa ou espiritual, não têm a coragem de confiar plenamente em Deus. E isto acontece, porque poucas almas conhecem a insondável Misericórdia de Deus, a Sua grande Bondade.
         (D.731)

TEU CORAÇÃO É A MINHA PERMANENTE MORADA

   
   "As graças que te concedo não são apenas para ti, mas também para um grande número de almas... E o teu coração é a Minha permanente morada; apesar da tua miséria, uno-Me a ti e, pondo-a de parte, troco-a pela Minha Misericórdia. Em cada alma realizo a obra da Misericórdia e, quanto maior o pecador, tanto mais direito tem à Minha Misericórdia. Em cada obra das Minhas mãos se confirma esta Misericórdia. Quem confia na Minha Misericórdia não se perderá, já que todos os seus cuidados serão Meus e os seus inimigos calcados aos pés do Meu escabelo."
(D.723)

DURANTE A MEDITAÇÃO SOBRE A CRIAÇÃO...

 
Durante a meditação sobre a criação... a certa altura, a minha alma, uniu-se ao mau Criador e Senhor. Nessa união, reconheci a minha vocação e o destino da minha vida. O meu objectivo é comungar intimamente com Deus pelo amor, e a minha missão a de bendizer e glorificar a Misericórdia de Deus.
    O Senhor deu-me a conhecer e a vivenciar isto de forma distinta e mesmo duma maneira física. E não deixo de me extasiar, quando reconheço e experimento esse insondável Amor divino com que Deus me ama. Mas quem é Deus - e quem sou eu? Não consigo meditar mais longamente nisto. Só o Amor é capaz de compreender este encontro entre dois espíritos, ou seja: Deus-Espírito e a alma-criatura. E, quanto mais O conheço, tanto mais n'Ele me abismo com toda a força do meu ser.
(D.729)

domingo, 28 de abril de 2013

O Meu Amor e Misericórdia não conhecem limites.

   Depois da Sagrada Comunhão, ouvi estas palavras:
Estás a ver o que és por ti mesma, mas não te assustes com isso. Se Eu te revelasse toda a tua miséria, morrerias de medo... No entanto, torna-te consciente do que és. E, por seres tão miserável, revelei-te, todo o oceano da Minha Misericórdia. Busco e anseio por almas como a tua; mas há poucas. É a tua grande confiança em Mim que me obriga continuamente a conceder-te graças. Tens vastos e incompreensíveis direitos sobre o Meu Coração, porque és uma filha que confia plenamente. Não suportarias a grandeza do Amor que te tenho, se Eu t'O manifestasse em toda a sua plenitude já na Terra. Levantando um pouco do véu, muitas vezes te dou só um vislumbre, mas fica certa de que isto é apenas uma graça excepcional. - O Meu Amor e Misericórdia não conhecem limites

(D.718)
Para que possamos nos elevar e nos unir a Deus, é preciso utilizar o mesmo meio que ele usou para chegar até nós.


22. Não é que esteja isento de cruzes e de sofrimentos aquele que, por uma verdadeira devoção, encontrou Maria; bem ao contrário! Esta pessoa será mais atacada do que as outras, porque Maria – qual Mãe dos viventes – dá a todos os seus filhos porções da Árvore da Vida, que é a Cruz de Jesus. Mas, talhando-lhes boas cruzes, dá-lhes a graça de as levarem com paciência, e até com alegria, de maneira que as cruzes que Ela dá àqueles que lhe pertencem são – por assim dizer – saborosas, ou cruzes doces e não cruzes amargas. Ainda que, durante algum tempo e por serem amigos de Deus, devam beber o cálice da amargura, a consolação e a alegria que recebem da bondosa Mãe – passada a provação – dão-lhes força e coragem para carregarem cruzes ainda bem mais pesadas e amargas. 



23. A dificuldade está, pois, em saber alcançar verdadeiramente a Santíssima Virgem, para assim poderem obter todas as graças em abundância. Deus, Senhor todo poderoso, poderá, por virtude própria, comunicar diretamente aquilo que, normalmente, comunica por meio de Maria. E não se poderá negar – fazê-lo seria temerário – que, por vezes, Deus até se comunica diretamente. Porém – como refere São Tomás – tendo em consideração o plano estabelecido pela divina Sabedoria, Deus não se comunica aos homens, de forma comum, senão por meio de Maria, isto na ordem da graça, como diz São Tomás. É necessário, para subir e unir-se a Deus, servir-se do mesmo meio de que Ele se serviu para descer até nós, fazendo-se homem e comunicando-nos as suas graças; e este meio é uma verdadeira devoção à Santíssima Virgem.

São Louis Maria Grignion de Montfort 
O Segredo de Maria, § 22-23

Fonte: UM MINUTO COM MARIA

Sendo muitos, nós formamos um só corpo e somos membros uns dos outros; e é Cristo quem nos une pelo vínculo da caridade, como está escrito: Do que era dividido, ele fez uma unidade, destruiu o muro de separação, a inimizade, e aboliu a Lei com seus mandamentos e decretos (cf. Ef 2,14-15). Convém, portanto, que tenhamos os mes­mos sentimentos uns para com os outros; se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, os demais se alegrem com ele.

Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para a glória de Deus (Rm 15,7). Para pôr em prática este acolhimento recíproco, devemos ter os mesmos sentimentos, carregando os fardos uns dos outros e guardan­do a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,3). Foi assim que Deus também nos acolheu em Cristo. Falou a verdade quem disse: Deus tanto amou o mundo, que deu seu Filho Unigênito (Jo 3,16). De fato, ele foi dado em resgate pela vida de todos nós, e assim fomos arrebatados da morte e libertados da morte e do pecado. 

E ilustra a finalidade deste desígnio ao dizer que Cristo se tornou ministro da circuncisão, para demonstrar a fidelidade de Deus. Com efeito, Deus prometera aos patriarcas do povo judeu que abençoaria toda sua descendência e a multiplicaria como as estrelas do céu. Por isso se revestiu da carne, tornando-se homem, ele o próprio Deus e Verbo que conserva todas as coisas criadas e lhes dá a salvação. Veio, porém, a este mundo na sua carne não para ser servido por ele, mas ao contrário, como ele mesmo afirma, para servi-lo e dar a sua vida pela redenção de todos.

Dizia claramente ter vindo ao mundo de modo visível para cumprir as promessas feitas a Israel: Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15,24). Por esta razão, Paulo não mente quando afirma que Cristo f foi o ministro da circuncisão, para confirmar as promessas feitas aos patriarcas e, com esse fim, foi entregue por Deus Pai; mas foi para que também os pagãos obtivessem misericórdia e assim o glorificassem como criador, autor, salva­dor e redentor de todos os seres humanos. Assim, pela bondade de Deus, extensiva a toda a humanidade, os pagãos foram recebidos e o mistério da sabedoria em Cristo não se desviou do seu desígnio de bondade. Efetivamente, em vez daqueles que se afastaram, o mundo inteiro foi salvo pela misericórdia de Deus.

-- Do Comentário sobre a Carta aos Romanos, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)
FONTE:  Tesouros da Igreja Católica 

sábado, 27 de abril de 2013

EXAME PARTICULAR E QUOTIDIANO

[Propósito - Prevenção]

1º TEMPO: Pela manhã, logo ao levantar, deve-se propor evitar, com diligência, aquele pecado particular ou defeito que se quer corrigir e emendar.

2º TEMPO: Depois da refeição do meio-dia, pedir a Deus, nosso Senhor, o que se quer, a saber, graça para se recordar quantas vezes se caiu naquele pecado particular ou defeito e para se emendar para o futuro. Em seguida, faça-se o primeiro exame, pedindo conta á sua alma daquele ponto particular que propôs e de que se quer corrigir e emendar, percorrendo hora por hora ou tempo por tempo, começando desde a hora que se levantou até à hora e momento que se faz o presente exame. E, façam-se, na primeira linha do g = tantos pontos quantas forem as vezes que incorreu naquele pecado particular ou defeito. Depois, proponha, de novo, emendar-se até ao segundo exame que fará.
                                  3º TEMPO: Depois da refeição da noite se fará o segundo exame, percorrendo também hora por hora, começando desde o primeiro exame até ao segundo, e façam-se na segunda linha do mesmo g = tantos pontos quantas forem as vezes que incorreu naquele pecado particular ou defeito.

Exercícios Espirituais de Santo Inácio - Exame particular e quotidiano.

O ÚNICO DEUS DA NOSSA VIDA

- Amados irmãos e irmãs, todos os dias o Senhor nos chama a segui-Lo corajosa e fielmente; fez-nos o grande dom de nos escolher como seus discípulos; convida-nos a anunciá-Lo jubilosamente como o Ressuscitado, mas pede-nos para o fazermos, no dia a dia, com a palavra e o testemunho da nossa vida. O Senhor é o único, o único Deus da nossa vida e convida-nos a despojar-nos dos numerosos ídolos e a adorar só a Ele. Que a bem-aventurada Virgem Maria e o apóstolo Paulo nos ajudem neste caminho e intercedam por nós.

Homilia do Papa Francisco na Basílica de S. Paulo Fora de Muros (14 Abril 2013)

                              FONTE: RADIO VATICANO

REGRAS DOS ESPÍRITOS DA PRIMEIRA SEMANA

- É de advertir que quando o exercitante anda nos exercícios da primeira semana, se é pessoa que não tenha sido versada em coisas espirituais, e é tentada grosseira e abertamente, propondo, por exemplo, o inimigo dificuldades para não progredir no serviço de Deus, nosso Senhor, tais como trabalhos, vergonha e temor pela honra do mundo, etc., o que dá os exercícios não lhe fale das regras dos vários espíritos da segunda semana, porque sendo-lhe proveitosos as da primeira, ser-lhe-ão prejudiciais as da segunda por ser matéria subtil e elevada demais para que a possa compreender. 
(Santo Inácio - Exercícios espirituais - Anotações [9]

RECEBER A LUZ DIVINA

       
  Compreendi que todo o esforço por atingir a perfeição e toda a santidade é [consiste] apenas em fazer a Vontade de Deus, O inteiro cumprimento desta divina Vontade é, sem sombra de dúvida, a plenitude na santidade. Receber a Luz divina, conhecer o que Deus quer de nós, e não o fazer, é um grande ultraje à Sua Majestade. Uma alma assim merece ser completamente abandonada por Deus, e assemelhe-se a Lúcifer, que havia grande luz mas não cumpria a Vontade de Deus. Uma extraordinária paz penetrou na minha alma, quando comecei a refletir no facto de que, apesar das grandes dificuldades, seguia sempre e  fielmente a Vontade de Deus que <me> tinha sido dado saber. Ó Jesus, concedei-me a graça de pôr em prática esta Vossa Vontade; e tal como cheguei a conhecê-l'A, ó meu Deus!
                                                (D.666)

ATORMENTADO POR TERRÍVEIS TENTAÇÕES

 
  Durante todo o dia fui atormentada por terríveis tentações, blasfémias que me vinham à boca, aversão a tudo o que era santo e divino. Contudo, lutei o dia inteiro e, à noite, começou a apoderar-se da minha mente <esta ideia fixa>:" para quê falar disto ao confessor? Ele até vai rir-se." Uma espécie de aversão e desânimo dominou a minha alma e parecia-me que, nesse estado, de forma alguma poderia receber a Sagrada Comunhão. Quando pensei que não devia comungar, uma dor tão lancinante atingiu a alma e de tal maneira que, por pouco, não gritei na capela. Dei-me, entretanto, conta de que as Irmãs estavam ali e resolvi ir para o jardim e esconder-me, para ao menos poder chorar alto.
(D.673)

É NA MINHA PAIXÃO....


Agora compreendi que a Confissão é apenas dizer os pecados e a direção espiritual é uma coisa inteiramente diferente.Quando o confessor me começou a falar, eu não era capaz de compreender  nem uma das palavras que ele proferia. Então de repente, vi Nosso Senhor Crucificado, que me disse: - É na minha Paixão que deves procurar a força e luz. Terminada a confissão, comecei a meditar sobre a terrível Paixão de Jesus e compreendi que, o que estava a sofrer, não era nada em comparação com a Paixão do Salvador, e que toda a imperfeição, ainda que mínima, era causa desse horrível padecer. Nessa altura, a minha alma foi envolvida por uma grande contrição e só então senti que me encontrava no mar da insondável Misericórdia de Deus. Oh, como quase não tenho palavras, para exprimir o que estou a experimentar! Sinto que sou como uma gota de orvalho engolfada nas profundezas do oceano abissal da Misericórdia de Deus.
(D.654) 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

REALIZAR A VOSSA VONTADE DIVINA

   
   Ó meu Jesus, meu Mestre e guia, fortalecei-me, iluminai-me nestes momentos difíceis da minha vida. Não espero ajuda dos homens; em Vós deponho toda a minha esperança. Sinto-me sozinha diante das Vossas exigências, ó Senhor. Apesar dos temores e aversões da minha natureza, quero realizar a Vossa santa Vontade, e desejo cumpri-l'A o mais fielmente possível durante toda a minha vida e na hora da minha morte. Jesus, conVosco tudo posso, fazei de mim o que Vos aprouver. Dai-me somente o Vosso Coração misericordioso - e isso me bastará.
(D.650)

ATITUDE NA ORAÇÃO

 
    - Como em todos os exercícios espirituais seguintes, usamos dos actos do entendimento, quando discorremos, e dos da vontade, quando exercitamos os afectos, advirtamos que, nos actos da vontade, quando falamos vocal ou mentalmente com Deus nosso Senhor, ou com os seus Santos, se requer, da nossa parte, maior reverência do que quando usamos do entendimento para entender.
(Exercícios Espirituais de Santo Inácio - Anotações - [3])

CONCISÃO REQUERIDA

     - A pessoa que dá a outrem modo e ordem [método] para meditar ou contemplar, deve narrar fielmente a história da contemplação ou meditação, discorrendo somente os pontos, com breve ou sumária declaração.
     Porque, é demais gosto e fruto espiritual para a pessoa que contempla, se toma o fundo verdadeiro da história, discorre e raciocina, por si mesma, e acha alguma coisa que faça compreender ou sentir a história, um pouco mais, seja pelo próprio raciocínio seja porque o entendimento é iluminado pela divina virtude, do que, se quem dá os exercícios declarasse e ampliasse muito o sentido da história.
     Porque não é o muito saber que farta e satisfaz a alma, mas o sentir e gostar as coisas internamente.
(Exercícios Espirituais de Santo Inácio - Anotações - [2])

NOÇÃO DOS EXERCÍCIOS



Por este nome exercícios espirituais entende-se todo o modo de examinar a 
consciência, de meditar, de contemplar, de orar vocal e mentalmente, e de outras operações espirituais, conforme adiante se dirá. Porque, assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais, da mesma todo o modo de preparar e dispor a alma, para tirar de si todas as as afeições desordenadas, e depois de tiradas, buscar e achar a vontade divina, na disposição da sua vida, para a salvação da alma, chamam-se exercícios espirituais.


(Santo Inácio de Layola - Exercícios espirituais - Anotações

quinta-feira, 25 de abril de 2013

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO

                   
PRINCÍPIO E FUNDAMENTO

- O homem é criado, para louvar, reverenciar e servir a Deus, nosso Senhor, e, mediante, isto salvar a sua alma.
E as outras coisas, sobre a face da terra, são criadas para o homem, para o ajudarem na prossecução do fim para que é criado.
Donde se segue que o homem tanto há-de usar delas, quanto o ajudam para o seu fim, e tanto deve privar-se delas, quanto disso o impeçam.
Pelo que, é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre alvedrio, e não lhe está proibido.
De tal maneira que, da nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que breve, e, assim por diante em tudo o mais, somente desejando e escolhendo o que mais nos conduz para o fim que somos criados. 
((Exercícios Espirituais de Santo Inácio - [23])

UNIR-SE POR MEIO DA SAGRADA COMUNHÃO


  Em determinado momento, tive dúvidas sobre aquilo que me sucedera não teria ofendido gravemente o senhor. Como não o podia saber, decidi não ir à Sagrada Comunhão antes de me confessar, embora imediatamente tenha surgido <em mim> o arrependimento,

porque tenho o costume de logo me exercitar na contrição após a mínima falta. Nos dias em que não recebia a Sagrada Comunhão, não sentia  a Presença divina; sofria indizivelmente por causa disto, mas suportava esse sofrimento como uma punição pelo pecado. Contudo, na S[anta] Confissão fui censurada: podia ter recebido a Sagrada comunhão, pois o que me havia acontecido não era impedimento. Depois da Confissão, recebi  a Sagrada Comunhão e subitamente vi o Senhor, que me disse estas palavras: Sabe, Minha filha, que Me causaste maior pesar pelo fato de não te unires a Mim na Sagrada Comunhão, do que por essa pequena falta.
(D.612)

PROFUNDA PAZ



     Depois de cada um dos colóquios com o Senhor, a minha alma fica extraordinariamente fortalecida e uma profunda paz reina no meu íntimo, dando-me uma tal coragem que já nada no mundo me mete medo. Só me fica um receio: o de entristecer Jesus.
(D.610)

LANÇO-ME NOS BRAÇOS DO PAI ETERNO

 Meu Jesus, apesar das Vossas graças, ainda sinto e vejo toda a minha miséria.
Começo o dia a lutar e com a luta o termino; mal supero uma dificuldade, em seu lugar surgem outras dez a serem combatidas, mas não me preocupo com isso, porque sei bem que este é um tempo de batalha e não de paz. Quando a intensidade da luta ultrapassa as minhas forças, lanço-me como uma criança aos braços do Pai Eterno e confio que não venha a perecer. Ó meu Jesus, já que sou tão propensa ao mal, isso obriga-me a uma contínua vigilância sobre mim mesma, no entanto nada temo, e confio na Graça divina que superabunda justamente na maior miséria.
                                                                                   (D.606)
  

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CONTEMPLAR A GRANDEZA E OS DIFERENTES GRAUS DE GLÓRIA

             Ó Santíssima Trindade, Deus Eterno, agradeço-Vos por me terdes permitido contemplar a grandeza e os diferentes graus de glória que as almas podem atingir. Oh, e que diferença tamanha existe entre dois graus que sejam do profundo conhecimento de Deus! - Oh, se as almas ao menos o pudessem saber! Ó meu Deus, se eu pudesse atingir mais um desses graus, de bom grado haveria de suportar por inteiro os tormentos que sofreram os mártires <todos> juntos.

        Realmente, todos esses tormentos para mim não são nada em comparação com a glória que nos espera por toda a eternidade. Ó Senhor, mergulhai a minha alma no oceano da Vossa Divindade e concedei-me a graça de melhor Vos conhecer, porque, quanto mais Vos conheço, mais ardentemente Vos desejo, crescendo mais e mais o meu amor por Vós. Sinto na minha alma um profundo abismo que só Deus pode preenche. E n'Ele me perco como uma gota de água no oceano. Dignou-se o senhor baixar até à minha miséria, como um raio de sol até a um estéril e pedregoso ermo, e, no entanto, sob a influência dos Seus raios, a minha alma cobriu-se de vegetação, flores e frutos, tornando-se um belo jardim para o Seu repouso.
(D.605)

São as almas vítimas que sustentam o mundo


      Também nesse mesmo momento vi certa pessoa e, em parte, o estado da sua alma assim como as grandes provações que Deus lhe envia. Esses sofrimentos reportavam-se à sua mente, e de forma tão aguda que fiquei com pena e disse ao Senhor:

  "Porque procedeis assim com ela?" O Senhor respondeu-me: Pela sua tríplice coroa - , mas também me deu a conhecer que uma incalculável glória aguarda a alma que imita a Jesus sofredor aqui na Terra: essa alma será semelhante a Jesus <mesmo> na glória. O Pai Celeste admira e reconhece as nossa almas, na medida em que vê em nós a imagem de Seu Filho. Compreendi que essa similitude com Jesus nos é concedida enquanto aqui na Terra. Mas também vejo almas puras e inocentes sobre os quais Deus exerce a Sua Justiça; são as almas vítimas que sustentam o mundo e completam o que faltou à Paixão de Jesus; porém, elas não são muitas. Alegra-me imenso que Deus me haja permitido conhecer tais almas.
(D.604) 

Os membros da Ordem da Mãe de Deus...



Mélanie Calvat relata sua visão do dia 19 de Setembro de 1846, em La Salette: Eu vi que os membros da Ordem da Mãe de Deus faziam todos os esforços para se despojar inteiramente do espírito do século corrupto, visando avançar em direção ao amor de Deus e, assim, adquirir as virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Eles tinham humildes sentimentos para consigo mesmos.
 

Eram muito unidos entre si, não tendo nem ambição, nem inveja, nem ciúme, desejando apenas, em tudo, agradar a seu Divino Mestre; nada desejando a não ser o Coração de Jesus, onde viviam mais ou menos intimamente, de acordo fosse a capacidade de seu amor; mais puro e mais generoso. O amor de Jesus produzia neles frutos de grande obediência, humildade e simplicidade, frutos de enorme mortificação, de zelo ardoroso e de perfeito abandono nas mãos do Divino Mestre.
 

Eu vi que esta Ordem era como a casa de todas as obras, e como um altar perpétuo onde incessante era a oração para as diversas necessidades da Santa Igreja, para as almas tíbias e para a conversão dos pecadores do mundo inteiro.

Melanie Calvat 
Extrato de Padre René Laurentin, Michel Corteville, A Découverte du Secret de la Salette 
(A Descoberta do Segredo de La Salette), 
Editora Fayard, 2002 

fonte: Um Minuto com Maria 

terça-feira, 23 de abril de 2013

A dignidade do trabalho


Quanto aos deserdados da fortuna, aprendam da Igreja que, segundo o juízo do próprio Deus, a pobreza não é uma desonra e que não se deve corar por ter de ganhar o pão com o suor do seu rosto. É o que Jesus Cristo Nosso Senhor confirmou com o Seu exemplo. Ele, que de muito rico que era, Se fez indigente (2 Cor 8,9) para a salvação dos homens; que, Filho de Deus e Deus Ele mesmo, quis passar aos olhos do mundo por filho dum artesão; que chegou até a consumir uma grande parte da Sua vida em trabalho de marcenariaNão é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria? (Mc 6,3). 

Quem tiver na sua frente o modelo divino, compreenderá mais facilmente o que Nós vamos dizer: que a verdadeira dignidade do homem e a sua excelência reside nos seus costumes, isto é, na sua virtude; que a virtude é o património comum dos mortais, ao alcance de todos, dos pequenos e dos grandes, dos pobres e dos ricos; só a virtude e os méritos, seja qual for a pessoa em quem se encontrem, obterão a recompensa da eterna felicidade. 

Mais ainda: é para as classes desafortunadas que o coração de Deus parece inclinar-se mais. Jesus Cristo chama aos pobres bem-aventurados (Mt 5,3): convida com amor a virem a Ele, a fim de consolar a todos os que sofrem e que choram(Mt 5,11-18); abraça com caridade mais terna os pequenos e os oprimidos. 

Estas doutrinas foram, sem dúvida alguma, feitas para humilhar a alma altiva do rico e torná-lo mais condescendente, para reanimar a coragem daqueles que sofrem e inspirar-lhes resignação. Com elas se acharia diminuído um abismo causado pelo orgulho, e se obteria sem dificuldade que as duas classes se dessem as mãos e as vontades se unissem na mesma amizade.

 Papa Leão XIII, na Carta Encíclica Rerum Novarum (15 de Maio de 1891)

A VIDA EM CONGREGAÇÃO (DAS FALTAS EXTERIORES)


                 Que sejam elas próprias a acusar-se das faltas exteriores e a pedir a penitência à Superiora, e o que o façam em espírito de humildade. Devem amar-se mutuamente com um superior, um puro amor, vendo em cada Irmã a própria imagem de Deus. E que a característica particular dessa pequena Comunidade seja o amor. Não fechem o seu coração mas abracem o mundo inteiro, dando misericórdia a toda a alma pela oração e de acordo com a sua vocação. Se vivermos nesse espírito de misericórdia, nós mesmas obteremos  Misericórdia.
                                                      (D.550)

A VIDA EM CONGREGAÇÃO (TRABALHO)

   
Será como pobres que, por si mesmas, executarão  todas as tarefas do convento. Cada uma deve contentar-se, mesmo quando lhe couber uma obrigação mais humilde ou contrária à sua natureza, porque isso mesmo a ajudará na formação interior. A superiora deverá com frequência permutar as obrigações das Irmãs, a fim de as ajudar dessa maneira a renunciar completamente a essas pequenas coisas para que as mulheres têm uma grande tendência. De facto, quantas vezes me admira, quando observo com os meus próprios olhos as almas que renunciam a coisa efectivamente grandes, para depois logo se apagarem a ninharias e a bagatelas. Cada uma das Irmãs, sem exclusão sequer da Superiora, ficará durante um mês com o serviço da cozinha.
     Que todas se encarregam de cada um dos trabalhos do Convento, tende sempre e em tudo uma intenção pura, porque a mistura de motivos muito desagrada a Deus.
(D.549)

MAGNIFICAT


         "A minha alma engrandece o Senhor, e se alegra o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois, ele viu a pequenez de sua serva, desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos. Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos, e despediu, sem nada, os ricos. Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre."
[Lc 1,46-55]

Ao cantar o Magnificat, lembre-se de se entregar ao Espírito Santo



As Sagradas Escrituras contêm muitos santos Cânticos que foram criados por mulheres santas, como Maria, irmã de Moisés e de Arão, Débora, Judith, e Ana, mãe do profeta Samuel, para agradecer a Deus os vários e extraordinários favores emanados de sua divina Bondade. Porém, o mais santo e digno de todos os Cânticos é o Magnificat da Sacratíssima Mãe de Deus. Este é o mais santo, tanto devido à dignidade e à santidade daquela que o fez, como pelos grandes e admiráveis mistérios que lhe são pertinentes. Assim também, pelos milagres que Deus realizou através deste Cântico, o Magnificat. 

Não sabemos se Deus teria operado milagres através de outras cânticos; mas St. Thomas de Villeneuve, Arcebispo de Valência, observa que foi no momento este Cântico foi pronunciado, que o Espírito Santo realizou muitas maravilhas no santo Precursor do Filho de Deus, assim como em seu pai e em sua mãe; e que a experiência tem mostrado, amiúde, que esta é uma excelente forma de afugentar demônios dos corpos possuídos por eles.
 

Nós não achamos que a bem-aventurada Virgem o tenha cantado ou pronunciado publicamente além daquela vez, enquanto estava neste mundo, mas não podemos duvidar de que ela o tenha recitado e, talvez, cantado, em outras ocasiões, em seu recolhimento. Alguns autores relatam que muitas vezes, em algumas igrejas, durante a celebração das Vésperas, Maria foi vista, cercada por muitos anjos, a cantar esse Cântico maravilhoso, unindo-se a eles e aos os sacerdotes, mas de forma tão melodiosa e tão encantadora, que não há palavras que possam expressar.
 

Lembre-se, você, também, de se entregar ao Espírito Santo, quando cantar ou recitar esse Cântico virginal, para se unir à devoção e a todos os sentimentos piedosos que inflamaram a Bem-aventurada Virgem ao cantá-lo e recitá-lo, assim como o fizeram tantos Santos e Santas, que o cantaram e recitaram tão devotamente.

São João Eudes, 
O Coração Admirável da Mãe de Deus (1681): O Magnificat
FONTE: Um Minuto com Maria

A VIDA EM CONGREGAÇÃO (ORAÇÕES)

 
 Quanto ás orações: Uma hora de meditação, Santa Missa e Sagrada Comunhão, orações, dois exames de consciência, ofício, rosário, leitura espiritual, uma hora de oração à noite.
(D.547)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A VIDA EM CONGREGAÇÃO (NOVICIADO)

   
 A duração do postulantado. O postulantado durará um ano. Durante esse período  a pessoa deve observar-se, para saber se é atraída por esse género de vida e lhe convém É necessário que a Mestra diligentemente examine, se a pessoa se adapta ou não a esse tipo de vida. Se, depois de um ano, se verificar que a candidata tem vontade firme e um sincero desejo de servir a Deus, então poderá ser aceite no noviciado.

     O noviciado terá a duração dum ano, sem nenhuma interrupção. A noviça será instruída nas virtudes relacionadas com os votos, assim como na importância deles. A Mestra deve esforçar-se o mais possível nessa formação profunda e exercitá-la principalmente na prática da humildade, porque só um coração humilde tem facilidade em observar os votos e sentir as grandes alegrias que Deus derrama sobre a alma fiel.

     Que as noviças não sejam sobrecarregadas com tarefas de responsabilidade, de modo a terem maior disponibilidade para se dedicarem ao aperfeiçoamento de si mesmas. Ficam entretanto , também estritamente obrigadas à observância das regras e das normas tal como as postulantes.

     Após um ano de noviciado, se demonstrar que é fiel, a noviça pode ser admitida à profissão pelo período de um ano, e devendo esta renovar-se ainda por três anos; então, já lhe podem ser confiados cargos de responsabilidade. Contudo, fará ainda parte do noviciado e, uma vez por semana, deve ir com as outras noviças assistir às conferências. Os últimos seis meses passá-los-á inteiramente no noviciado, afim de bem se preparar para a sua profissão solene.

    No que respeita à alimentação, não comeremos carne. As nossas refeições serão  de tal modo, que nem os pobres tenham nada a invejar-nos. Nos dias santificados, porém, poderão ser um pouco diferentes das dos dias comuns. As  Irmãs terão três refeições por dia, observarão estritamente os jejuns no espírito primitivo, especialmente os dois maiores. A alimentação será igual para todas as Irmãs, sem quaisquer excepções, para que a vida em comum seja preservada em toda a sua pureza, tanto na alimentação,, como no vestuário e no arranjo da cela. Mas, se alguma Irmã estiver doente, devem dispensar-se-lhe todas as atenções.
(D.543)


Oração à Sagrada Face
(Composta por Santa Teresinha)

Ó Jesus, que na Vossa crudelíssima Paixão Vos tornastes "o opróbio dos homens e o homem das dores", eu adoro a Vossa Divina Face sobre a qual resplandecem a beleza e ternura da Divindade e que agora se tornou para mim como a face de um "leproso" (Is. 53,4).
Mas sob estes traços desfigurados reconheço o Vosso infinito amor e ardentemente desejo amar-Vos e fazer-Vos amar por todos os homens. 

As lágrimas que com tanta abundância correram dos Vossos olhos, se me afiguram quais pérolas preciosas, que eu quisera recolher para, com seu valor infinito, resgatar as almas dos pobres pecadores.
Ó Jesus, Vossa Face é a única beleza que encanta o meu coração, de boa mente quero renunciar na terra à doçura do Vosso olhar e ao inefável ósculo de Vossa boca divina, mas suplico-Vos, imprimi em meu coração Vossa Divina Imagem, e inflamai-me com Vosso amor, a fim de que possa um dia contemplar a Vossa Face gloriosa no Céu. Amém.

COMO PODE TOLERAR TANTOS CRIMES E NÃO OS CASTIGAR?

     "Quando uma vez perguntei a Jesus, como pode tolerar tantos delitos e diversos crimes e não os castigar, respondeu-me o Senhor: - Para os punir, tenho a eternidade, por agora prolongo-lhes o tempo da Minha Misericórdia, mas ai deles se não se aperceberem da hora da Minha Visita. Minha filha, Secretária da Minha Misericórdia, estás obrigada não só a escrever e a divulgar a Minha Misericórdia, mas também a suplicar por eles a Graça, para que também eles bendigam a Minha Misericórdia."
(D.1160)

Quanto mais uma alma for consagrada a Maria, mais ela o será a Jesus Cristo


"Toda a nossa perfeição consiste em sermos conformes a Jesus Cristo, em nos unirmos e nos consagrarmos a Ele. Por isso, a mais perfeita de todas as devoções é, indubitavelmente, aquela que nos conforma, nos une e nos consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. 

“Ora, de todas as criaturas, Maria é a mais conforme a Ele. Por conseguinte, a devoção que, de entre todas as demais, melhor consagra e assemelha uma alma a Nosso Senhor, é a devoção à Santíssima Virgem, sua santa Mãe. E quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais o será a Jesus Cristo. 

“É por isso que a perfeita consagração a Jesus Cristo não é mais que uma perfeita e inteira consagração da alma à Santíssima Virgem. E nisto consiste a devoção que ensino ou, por outras palavras, consiste numa perfeita renovação dos votos e das promessas do santo Batismo."    (VD 120)
Sao Luís Grignont de Monfort

domingo, 21 de abril de 2013

A VIDA EM CONGREGAÇÃO (ADMISSÂO)



Cada religiosa há-de habitar uma cela individual, posto que a visa deva ser em comum no respeitante às orações, às refeições e aos recreios. Cada uma das religiosas depois de professar nunca mais verá o mundo, mesmo através da grade, porque esta será velada por um pano escuro e, até mesmo quanto às conversas, haverá uma rigorosa limitação. Deverá ser como que uma pessoa morta, nem compreendida pelo mundo, nem compreendendo o mundo. Importa que se situe entre o Céu e a Terra, suplicando incessantemente a Deus misericordioso para o mundo e poder para os sacerdotes, afim de que as palavras deles não soem em vão e para que eles [nessa] admirável dignidade, posto que tantos expostos <a perigos>, saibam manter-se sem nenhuma mácula... E, embora essas não sejam muitas, serão por certo almas heróicas, não havendo lugar para as timoratas ou as sem tenacidade.

       Entre as Irmãs não há-de fazer-se divisão em coros, nem distinção em Madres e Mãezinhas, nem Reverendas, ou Veneráveis, <mas> serão todas iguais, mesmo que possam ser grandes as diferenças de condição.  quem era Jesus e, afinal, como se humilhou e com quem conviveu. Hão-de vestir o manto que Ele usou durante a Paixão e não apenas a veste, devendo em si mesmas imprimir os estigmas com que Ele estava marcado, que são: o sofrimento e o desprezo. Cada uma procurará a máxima renúncia de si própria e ter amor à humildade, sendo apenas aquela, que mais se distinguir nesta virtude, a que há-de ser capaz de dirigir as outras.

      Postulando. Idade para a admissão: Podem ser admitidas pessoas dos quinze anos aos trinta. Em primeiro lugar, deve-se prestar atenção ao espírito de que está imbuída cada uma e ao seu carácter; se tem vontade firme e coragem para seguir Jesus com alegria e contentamento, porque Deus ama a quem se dá de bom grado. Deve ter em desprezo o mundo e a si própria. A falta de dote nunca há-de constituir impedimento à admissão. Todas as formalidades importa que sejam claras: as complicações devem ser evitadas.

     Melancolias, ou pessoas com tendência para a tristeza, com doenças contagiosas ou carácter complicado, desconfiadas, não se adaptam à vida religiosa, não devendo por isso ser admitidas. É preciso assim o maior cuidado na escolha dos membros, pois basta um só inadaptado, para criar uma confusão geral no Convento.

A humilde oração de Santo Anselmo a Maria


"Nossa Senhora, quanto mais execráveis são os meus pecados e delitos na presença de Deus e diante de ti, mais eles precisam da salutar intervenção Divina e da tua ajuda. Ó Mãe clementíssima, corrige, então, a minha imperfeição e, assim, apagarás esta minha torpeza que tanto te ofende.”
Santo Anselmo, Oratio 50, PL 158,950 A 

  "Aquele que se tornou culpado diante do Deus justo, se refugia junto à Mãe do Deus misericordioso; aquele que ofendeu a Mãe busca refúgio junto ao Filho, pleno da piedade de uma Mãe benigna." 
Anselmo Oratio 51, PL 158, 951 C

sábado, 20 de abril de 2013

JESUS EXPOSTO NO CUSTÓDIA

"Quando mergulhei em oração, fui transportada em espírito à capela e vi Jesus exposto no custódia. Mas, em vez do ostensório, tive a visão  da Face adorável do Senhor, que me disse:O que tu estás a contemplar [na] realidade, vêem estas almas pela fé! Oh, como Me é amável a sua grande fé! Repara [que] embora aparentemente não haja em vestígio de vida, no entanto essa vida está em toda a plenitude contida em toda e cada uma das Hóstias. Mas, para <Eu> poder agir na alma, ela deve ter fé. Oh, quanto Me compraz a viva fé!
(D.1420)


CORRESPONDER AO CHAMADO DO MEU CORAÇÃO



Que motivo tenho, para corresponder ao chamado do meu coração, quando por meio de um movimento de devoção sincera e de alegre admiração, meu coração deseja saudar, cumprimentar esta jovem, filha de Belém, como a bendita entre todas as mulheres? Ela é a mãe do Senhor, a mãe do meu Senhor. Aqui está o mais profundo alicerce da minha veneração por ela e da minha gratidão com respeito dela. 

Mesmo quando se trata de vida natural, uma claridade incomparável envolve, aureola este nome “Mãe”. Por um sentimento humano autêntico, esta denominação "Mãe", tudo o que dela depende e o que ela significa, sugere algo de sagrado e de inviolável. O próprio nome “mãe” já engloba, encerra tudo o que existe de mais terno e de mais puro na vida do homem. Seria possível para você, depreciar a sua mãe ou falar mal dela? Você gostaria de apagar a imagem dela da sua alma? 

É por isso que, para mim, está bem claro que, se Jesus é querido por nós como nosso Senhor e nosso Salvador, é evidente que tenhamos sentimentos calorosos e profundos para com a mulher que Ele chamava sua Mãe, sua própria Mãe. Honrar a Jesus e desprezar a sua Mãe, glorificá-Lo e depreciar a sua Mãe, isso não pode se harmonizar se nós o reconhecemos como o verdadeiro filho de Maria, a virgem da cidade de Davi, o que fazemos a cada vez que recitamos o Credo dos Apóstolos: "Creio em Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria".

Pastor E. Eidem, 
Herrens Moder (a Mãe de Deus - Variações sobre o Magnificat), Uppsala 1929 
Citado por Bento Thierry Argenlieu a obra Maria, Rainha do Norte, em: Maria – estudos sobre a Virgem Maria – sob a direção de Hubert du Manoir, S.J. Volume IV, 1956, p. 450-451 
Fonte: Um Minuto com Maria

OBEDIÊNCIA

     
 "Vim para cumprir a Vontade de Meu Pai. Fui obediente aos pais, obedeci aos algozes e sou agora obediente aos sacerdotes."
     "Ó Jesus, compreendo o espírito de obediência e em que consiste: abrange não apenas o comportamento exterior, mas também o entendimento, a vontade e o juízo. Obedecendo aos Superiores, somos obedientes a Deus. Pouco importa que se trate dum Anjo, ou dum homem, a ordenar, desde que a mando de Deus, devo ser sempre  obediente."
                                                       (D.535)

SACERDOTES, AJUDAI-ME NISTO

     
        "Quando entrei na capela, fui, uma vez mais , invadida pela Majestade divina; sentia-me inteiramente submergida em Deus, toda imersa n'Ele e d'Ele impregnava, vendo quanto o Pai Celestial nos ama. Oh, que grande beatitude enche a minha alma pelo conhecimento  de Deus, da Vida divina! Desejo partilhar esta felicidade com todos os homens, não a posso guardar no coração só para mim, porque as suas chamas queimam-me e fazem dilacerar o meu peito e as minhas entranhas. Tenciono ir pelo mundo a falar ás almas desta grande Misericórdia de Deus. Sacerdotes, ajudai-me nisto, e utilizai as palavras mais poderosas sobre a Sua divina Misericórdia, pois tudo é demasiado pouco [para indicar] quanto é misericordioso."
(D.491)

NA SAGRADA COMUNHÃO

     
       " Jesus, quando vindes a mim [na] Sagrada Comunhão. Vós que Vos dignastes habitar com o Pai e o Espírito santo no pequeno céu do meu coração, procuro fazer-Vos companhia o dia inteiro, não Vos deixando sozinho nem por um momento. E ainda que me encontre na companhia de pessoas, ou com as educandas, o meu coração está sempre unido ao Vosso. Antes de adormecer, ofereço-Vos cada batimento do meu coração; e, logo que acordo, em Vós mergulho sem uma palavra dizer. Ao despertar, glorifico por um momento a Santíssima Trindade, agradeço por se ter dignado dar-me ainda esse dia, e por uma vez mais, se repetir de novo em mim, não só o mistério da Encarnação do Vosso Filho, mas também, perante os meus olhos, a Vossa dolorosa Paixão. E assim, procuro ir facilitando que Jesus por meu intermédio chegue às outras almas; com Ele vou a todo o lado e Sua Presença acompanha-me por toda a parte."
(D.486)